Operação prende três PMs acusados de proteger dono de empresa de ônibus ligada ao PCC
A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo realizou uma operação nesta quarta-feira (4) que resultou na prisão de três policiais militares. Eles são acusados de atuar como segurança privada para o proprietário da empresa de ônibus Transwolff, apontado como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Detalhes da operação e apreensões
Durante a ação, os investigadores cumpriram 16 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária. Na residência de um dos policiais, foi apreendida a quantia de R$ 1 milhão em dinheiro. Os nomes dos presos não foram divulgados até o momento, mas sabe-se que um deles também trabalhava na assessoria militar da Câmara Municipal de São Paulo.
Contexto da investigação: Operação Fim da Linha
A Transwolff, juntamente com a empresa UPBus, foi alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024 pelo Ministério Público de São Paulo. A investigação aponta suspeitas de lavagem de dinheiro e favorecimento à facção criminosa PCC.
Segundo as apurações, os policiais militares prestaram serviços de segurança privada entre os anos de 2020 e 2024 para Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, dono da Transwolff, e para Cícero de Oliveira, o Té.
Esquema de lavagem de dinheiro e vínculos criminosos
As investigações indicam que o dinheiro utilizado para aumentar o capital da Transwolff poderia ter origem ilícita, proveniente de atividades do PCC. O esquema envolveria o uso de laranjas e CNPJs fantasmas, com empresas de fachada para ocultar as verdadeiras origens dos valores, uma prática típica de lavagem de dinheiro.
Em função dessas suspeitas, a Prefeitura de São Paulo abriu processo para rescindir os contratos da Transwolff e da UPBus em dezembro de 2024.
Defesa da empresa e impacto no transporte
A defesa da Transwolff nega qualquer vínculo com o crime organizado, afirmando que não há comprovação de qualquer relação com organizações criminosas ou de atividades ilícitas e que vai contestar a decisão na Justiça. A empresa operava 133 linhas de ônibus na Zona Sul de São Paulo, e a Prefeitura garantiu que a SPTrans assegurará a operação dessas linhas após a desistência da Sancetur.
Este caso destaca a interseção entre crime organizado, corrupção policial e o setor de transporte público, levantando questões sobre a fiscalização e a segurança nas concessões de serviços essenciais na maior cidade do país.



