Delegado detalha obstrução em investigação do desaparecimento da família Aguiar
Em entrevista exclusiva, o delegado Anderson Spier revelou que uma parente do policial militar Cristiano Domingues Francisco, principal suspeito do desaparecimento da família Aguiar, teria convencido um amigo dele a mentir no depoimento à Polícia Civil. "Pediu para ele mentir e, efetivamente, ele prestou depoimento mentindo, dizendo que estava com o suspeito em determinada ocasião quando não estava", afirmou Spier. "Esse falso testemunho já está comprovado", completou o delegado.
Investigação avança com suspeitas de crimes graves
A polícia considera remotas as chances de encontrar com vida os três integrantes da família Aguiar, desaparecidos desde 24 de janeiro em Cachoeirinha. Por isso, a investigação é tratada como um feminicídio e um duplo homicídio, envolvendo Silvana Germann de Aguiar e seus pais, Isail e Dalmira Aguiar. Vizinhos, parentes e amigos continuam buscando respostas sobre o paradeiro da família, com o caso ainda em andamento.
Desavenças na criação do filho do casal podem ter sido o gatilho para o crime. Silvana e Cristiano são pais de um menino, e a mulher havia procurado o Conselho Tutelar para relatar que o pai não seguia suas orientações nos cuidados com o filho, que teria restrições alimentares. O delegado Spier mencionou que a mãe estaria planejando entrar com um processo judicial contra o pai, o que pode ter desencadeado a ação criminosa.
Questão patrimonial e protestos por agilidade
Outro ponto investigado é a questão patrimonial, pois a família Aguiar possuía muitos bens, incluindo imóveis e apartamentos de aluguel. Em caso de morte de Silvana e dos pais, todos esses bens, numa sucessão, viriam a se tornar propriedade do neto. Enquanto isso, moradores da região e parentes se reuniram recentemente para protestar, pedindo maior agilidade nas investigações. "A gente aguentou até agora, a gente esperou até agora. Respeitamos o tempo da polícia para averiguações das provas, para inquérito, tudo. Mas hoje são 64 dias sem respostas", disse Débora Marques Gonçalves, amiga da família.
Suspeitos e obstrução à justiça
Além de Cristiano Domingues Francisco, preso temporariamente desde 10 de fevereiro, três pessoas ligadas ao PM passaram à condição de investigadas por suspeita de fraude processual e falso testemunho, por atrapalharem as investigações. Conforme Spier, os fatos que levaram a polícia a investigar os três incluem:
- A mulher, profissional de TI, teria apagado dados em dispositivos eletrônicos e na nuvem, sendo suspeita de fraude processual.
- O familiar do PM teria deletado imagens de câmeras da casa onde moram familiares de Cristiano, também suspeito de fraude processual.
- Um amigo de Cristiano é investigado por falso testemunho, tendo mentido a pedido da esposa do PM para dar falsos álibis ao principal suspeito.
O PM ainda deve ser ouvido novamente nesta semana, com tendência de ser o último depoimento antes da conclusão do inquérito. O advogado de Cristiano, Jeverson Barcellos, diz que segue atuando no caso, enquanto as defesas dos outros suspeitos não foram localizadas.
Linha do tempo do caso
O desaparecimento da família Aguiar segue uma sequência de eventos investigados pela polícia:
- Antes do sumiço: Em 2 de janeiro, Silvana solicita contato do Conselho Tutelar; em 9 de janeiro, ela registra que o ex-marido desrespeitava restrições alimentares do filho.
- Fim de semana dos desaparecimentos: Em 24 de janeiro, Silvana é vista pela última vez, com postagem falsa sobre acidente em Gramado; câmeras registraram movimentação atípica de veículos em sua residência. Em 25 de janeiro, os pais saem para procurá-la e também desaparecem após visitar o ex-genro.
- Início das investigações: Ocorrências são registradas em 27 e 28 de janeiro; em 1º de fevereiro, Cristiano envia foto da casa dos sogros; em 3 de fevereiro, projétil é encontrado no pátio; em 4 de fevereiro, polícia descarta sequestro.
- Perícias e prisão: Em 5 de fevereiro, vestígios de sangue são encontrados; em 7 de fevereiro, celular de Silvana é localizado; em 10 de fevereiro, Cristiano é preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico.
- Desdobramentos recentes: Em 20 de fevereiro, polícia confirma que mesmo carro entrou duas vezes na residência de Silvana; em 24 de fevereiro, perícia mostra que celular nunca esteve em Gramado; buscas com cães continuam em áreas rurais.
A investigação permanece ativa, com a polícia trabalhando para elucidar os detalhes deste caso complexo que chocou a comunidade de Cachoeirinha.



