Tenente-coronel da PM é preso por feminicídio de esposa policial em São Paulo
Tenente-coronel preso por feminicídio de esposa policial em SP

Tenente-coronel da PM é preso por suspeita de feminicídio contra esposa policial

O tenente-coronel Geraldo Neto, de 53 anos, foi preso preventivamente pela Corregedoria da Polícia Militar na manhã desta quarta-feira (18) em São José dos Campos, interior de São Paulo. Ele é apontado como suposto autor do feminicídio contra a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, ocorrido no mês passado na capital paulista.

Defesa da família comemora prisão e espera condenação

O advogado José Miguel da Silva Júnior, que defende a família da vítima, manifestou satisfação com a detenção do militar. "Desde o início a família não acreditou que Gisele poderia ter cometido suicídio. Esperamos que ele seja processado pelo Ministério Público, vá a júri e seja condenado", declarou o profissional, que foi principal defensor da tese de feminicídio em nome dos familiares da policial.

A prisão foi decretada na terça-feira (17) pela Justiça Militar, que atuou com base na investigação da Polícia Civil. O coronel foi indiciado pelos crimes de feminicídio e fraude processual, por supostamente ter adulterado a cena do crime.

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Justiça Militar decreta prisão preventiva

Por meio de nota, o Tribunal de Justiça Militar informou que a prisão preventiva foi decretada com base em três fundamentos:

  • Garantia da ordem pública
  • Conveniência da instrução criminal
  • Necessidade de preservação da hierarquia e disciplina militares

O magistrado destacou o risco de interferência nas investigações, incluindo possibilidade de influência sobre testemunhas, além da gravidade concreta dos fatos apurados. A decisão também autorizou:

  1. Apreensão de aparelhos celulares
  2. Quebra de sigilo de dados eletrônicos
  3. Compartilhamento de provas com a Polícia Civil

Defesa do coronel contesta competência da Justiça Militar

O advogado Eugênio Malavasi, que defende Geraldo Neto, reagiu à prisão alegando que a Justiça Militar seria incompetente para analisar, processar e julgar o caso. "A Justiça Militar é incompetente para analisar, processar e julgar o caso e, especialmente, para decretar medidas cautelares", afirmou o criminalista, que vai suscitar conflito de competência com a Justiça comum.

Antes da detenção, o coronel sustentava que a esposa havia se suicidado após uma discussão conjugal. Porém, essa versão foi descartada após investigações da Polícia Civil e laudos periciais que indicaram assassinato.

Laudos periciais apontam feminicídio com detalhes cruciais

A decisão das autoridades em pedir a prisão ocorreu após a Polícia Técnico-Científica anexar ao inquérito 24 laudos relacionados à morte de Gisele. Dois deles foram particularmente determinantes:

  • Trajetória da bala: indicou que o disparo foi dado de baixo para cima com o cano encostado na cabeça
  • Profundidade dos ferimentos: inconsistente com a versão de suicídio

Outros exames foram cruciais para a conclusão da delegacia de que Geraldo matou Gisele por ciúmes e possessividade:

Necroscópico: concluiu que a vítima tinha marcas de dedos no pescoço e desmaiou antes de ser baleada na cabeça.

Exumação: vários exames foram refeitos no corpo, incluindo complementares ao necroscópico.

Toxicológico: não encontrou resquícios de álcool ou drogas, descartando possibilidade de embriaguez ou dopagem.

Residuográfico: não detectou pólvora nas mãos de Gisele nem nas de Geraldo.

De local de crime: Gisele foi encontrada caída segurando a arma, situação incomum em suicídios segundo peritos.

Indícios que contradizem versão do coronel

Diversos pontos chamaram a atenção dos investigadores e contribuíram para desmontar a narrativa de suicídio:

O coronel telefonou para a PM pedindo socorro apenas 29 minutos após uma vizinha escutar um tiro. Ele havia dito que tomou banho antes do suposto suicídio da esposa, mas quando socorristas chegaram ao imóvel o encontraram com o corpo seco. Somente após ligar para um desembargador amigo, que foi à residência, é que Geraldo foi se banhar, desobedecendo orientação de policiais militares no local.

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Câmeras de segurança gravaram o encontro do coronel com o desembargador. Exames indicaram presença de sangue de Gisele no box do banheiro e em outros cômodos do apartamento, detectados através do reagente químico luminol.

Após a perícia na residência, três policiais militares mulheres foram até lá limpar o imóvel. Por essa conduta, o coronel passou a ser investigado pela Corregedoria da PM também por abuso de autoridade. Geraldo havia pedido afastamento da corporação após a morte da esposa.

Destino do preso e próximos passos

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, o coronel seguirá preso para o 8º Distrito Policial (DP), Brás, no Centro de São Paulo, onde será interrogado e passará por exames de corpo de delito. Após isso, irá para o Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital.

O Inquérito Policial Militar (IPM) será concluído nos próximos dias, conforme comunicado da pasta da Segurança. O magistrado militar determinou ainda que o investigado deverá ser submetido a audiência de custódia, conforme previsto na legislação vigente, enquanto as investigações prosseguem para completo esclarecimento dos fatos.