Suspeito de matar vigia é preso após três meses foragido com apoio familiar em Palmas
Waldecir José de Lima Júnior, de 40 anos, foi preso após permanecer mais de três meses foragido, sendo investigado pela morte a tiros do vigia Dhemis Augusto Santos. O crime ocorreu no dia 29 de novembro de 2025, em um shopping da capital tocantinense, após uma discussão sobre estacionamento irregular de um carro de luxo.
Rede de apoio familiar facilitou fuga por várias cidades
Segundo a Polícia Civil, o suspeito contou com o apoio de familiares e amigos para se manter foragido, o que permitiu que ele fugisse do Tocantins e passasse por Goiânia, Trindade e Anápolis, em Goiás. As pessoas que o ajudaram na fuga podem ser responsabilizadas criminalmente pelo crime de favorecimento pessoal, conforme investigações em andamento.
"Sim, podem sim. Inclusive estamos apurando tudo isso, existe no Código Penal um crime específico para isso, que é o crime de favorecimento pessoal", explicou o delegado Israel Andrade, responsável pelas investigações. "No entanto, é preciso apurar porque a maioria desta rede de apoio foi dos familiares, e o próprio código isenta alguns destes familiares nessa situação."
Captura ocorreu durante tentativa de se esconder
O investigado foi finalmente preso na casa da sogra enquanto tentava se esconder embaixo da cama do filho. A suspeita da polícia é de que ele tenha voltado a Palmas para comemorar o aniversário do filho, o que facilitou sua localização e captura pelas autoridades.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento exato em que Waldecir atirou contra o trabalhador, durante a discussão que começou quando ele foi repreendido por estacionar seu carro de luxo em local irregular no shopping.
Audiência de custódia e prisão preventiva
Waldecir José passou pela audiência de custódia na manhã de terça-feira (24) na Vara das Garantias de Palmas, e foi encaminhado para a Unidade Prisional da capital, onde permanecerá preso durante o andamento das investigações. A prisão preventiva dele havia sido decretada pela 1ª Vara Criminal de Palmas em novembro de 2025.
A defesa do acusado informou que a audiência teve como objetivo verificar a legalidade da prisão e a ocorrência de tortura ou maus-tratos, destacando que está confiante na Justiça. "O juízo das garantias fundamentais não é cenário pra discutir a prisão decretada. Isso será feito junto ao juízo Criminal que decretou a prisão", afirmou a defesa em nota.
Dificuldades na captura e apreensões
O delegado Israel Andrade detalhou as dificuldades enfrentadas durante a busca pelo suspeito: "Ele estava com uma rede de apoio muito grande, tendo evadido o estado, passou por outros estados, outras cidades. Devido a essa rede de apoio que ele tinha, às condições que o cercavam, tornou-se muito difícil".
Após o crime, o carro usado na fuga foi encontrado na casa de Waldecir, que fica na região central de Palmas. Por frestas no portão, os policiais viram o veículo na madrugada do dia 30 de novembro. A equipe entrou no local na tentativa de prender o suspeito em flagrante, porém a casa estava vazia. Durante a ação, foram apreendidas munições.
Mesmo foragido, o suspeito chegou a contratar um advogado, que indicou à polícia o local onde estava a arma usada no crime, em um endereço no centro da capital. Apesar disso, Waldecir não se apresentou às autoridades e posteriormente trocou de advogado durante o período de fuga.
Isenções no Código Penal
Conforme o Código Penal brasileiro, estão isentos de responder pelo crime de favorecimento pessoal os ascendentes, descendentes, cônjuge ou irmãos. Esta disposição legal complica a responsabilização de alguns membros da família que possam ter auxiliado o suspeito durante sua fuga.
A investigação continua apurando detalhes sobre a extensão da rede de apoio e as circunstâncias exatas que permitiram ao suspeito permanecer foragido por tanto tempo antes de ser finalmente capturado pelas autoridades policiais.



