Suspeito de matar ex-esposa por seguro de vida vai a júri popular em Uberlândia
O julgamento de Aldo Fabiano Angelotti, de 43 anos, está marcado para as 9h desta quinta-feira (5) no Tribunal do Júri, no Fórum de Uberlândia. Ele é acusado de matar a ex-esposa, Maria Cláudia Santos Freitas, de 44 anos, em um acidente de trânsito que, segundo a Polícia Civil, foi planejado para simular uma batida e permitir que ele recebesse um seguro de vida de R$ 1 milhão.
Detalhes do caso e investigação
Segundo a Polícia Civil, o acidente forjado aconteceu no dia 30 de agosto de 2024 no Bairro Laranjeiras. A investigação, que durou três meses, concluiu que ele teria desativado o airbag da vítima e provocado o choque do carro contra uma árvore. Ele foi indiciado pelo crime de feminicídio e está preso no Presídio Professor Jacy de Assis, em Uberlândia, desde o dia 5 de dezembro de 2024, aguardando o julgamento.
Por estar sob segredo de Justiça, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou que não pode divulgar detalhes do processo, nem da dinâmica prevista para o julgamento. O g1 procurou o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para confirmar os crimes pelos quais Aldo Fabiano foi denunciado e quantas testemunhas da acusação foram arroladas para prestar depoimento no júri popular. Não houve resposta até a última atualização desta reportagem. A reportagem também tenta contato com a defesa de Aldo.
Polícia concluiu que crime foi premeditado
A investigação apontou que o crime foi premeditado desde quando Aldo e Maria Cláudia reataram o relacionamento após separação, no início de 2024. Conforme a Polícia Civil, o suposto acidente ocorreu quando um veículo alugado pela vítima, que estava no banco do passageiro, bateu em uma árvore no Bairro Laranjeiras. Aldo Fabiano dirigia o veículo e teve apenas ferimentos, pois o airbag do seu lado foi acionado.
Ao chegar ao local, o que chamou atenção foi que só o airbag do condutor havia sido deflagrado. Analisando o veículo, vimos que há um dispositivo que ativa e desativa o funcionamento do airbag. A dúvida recaia sobre o fato do condutor saber ou não desta informação, de que o airbag estava desativado, explicou o perito João Paulo Teixeira na época do inquérito.
Duas equipes do Sistema Integrado de Atendimento a Trauma e Emergência (Siate) estiveram no local para atuar no salvamento de Aldo e Maria Cláudia. No entanto, ela teve a morte confirmada ainda no local.
Sol e airbag: contradições na versão do suspeito
À época, Aldo alegou que a luz do sol impediu que ele visse a via, fazendo-o perder o controle e causar o acidente. O velocímetro do veículo travou em 60 km/h, sendo que o limite da via é de 40 km/h. O airbag de Maria Cláudia não abriu e, após perícia, foi identificado que a chave manual do equipamento de segurança foi desativada.
Fomos até uma concessionária ver um veículo equivalente. Uma vez desativado o dispositivo, fica claramente, aos olhos do condutor, o aviso de que estava desativado. A hipótese de que ele não sabia, se extinguiu neste momento, explicou o perito.
De acordo com os investigadores, mesmo após a prisão, o suspeito negou o crime e afirmou que tudo foi um acidente. A Delegacia de Homicídios entrou no caso após a perícia constatar estas condições do acidente, que não condiziam com as afirmações de Aldo. Segundo a investigação da polícia:
- não havia marcas de frenagem no asfalto
- o sol não estava a pino no momento do acidente
- a árvore atingida era a única que poderia causar tantos ferimentos.
Vítima tinha sido ameaçada de morte
Durante a investigação da Delegacia de Homicídios, foi averiguado que o relacionamento do casal era conturbado, sendo que, inclusive, Maria Cláudia tinha registrado um Boletim de Ocorrência contra Aldo em 2023, quando ele a ameaçou de morte. Devido aos problemas, os dois se separaram, mas reataram o relacionamento no início de 2024. A suspeita é de que ele buscou reatar o relacionamento já com a intenção de matar a mulher.
A investigação apontou, ainda, que apólices de seguro de vida foram feitas pouco tempo antes do acidente, sendo que Aldo era um dos beneficiários. A apólice mais recente foi assinada 20 dias antes do acidente, com valor de R$ 1 milhão. O valor não foi liberado a pedido dos investigadores, que acreditavam que Aldo utilizaria o dinheiro para fugir.
Fazendo uma visita no local do acidente, tanto os investigadores quanto os peritos observaram que a via era plana, retilínea e estava em boas condições asfálticas. Existia uma árvore com porte mais robusto no meio da via, ele escolheu ela, em específico, e mudou repentinamente a direção para colidir com a árvore, explicou outro delegado de Homicídios, Carlos Fernandes.
O laudo da perícia também apontou que o ofuscamento da visão não poderia causar a colisão devido ao posicionamento do sol no momento do acidente.



