Síndico preso por morte de corretora em GO já era acusado de agressão em discussão sobre água
Síndico preso por morte de corretora em GO tinha denúncia de agressão

Síndico preso por homicídio de corretora em Goiás já tinha denúncia de agressão física em discussão sobre falta de água

O caso que chocou Caldas Novas, no sul de Goiás, ganha novos detalhes com a revelação de que o síndico Cleber Rosa de Oliveira, de 49 anos, preso como suspeito pela morte da corretora Daiane Alves Souza, já enfrentava uma acusação de lesão corporal contra a vítima. A denúncia, registrada em maio de 2025, envolve uma discussão acalorada sobre a falta de água no apartamento onde Daiane residia, culminando em uma agressão física que foi filmada pela corretora.

Detalhes da agressão e do depoimento da vítima

Em depoimento à polícia, Daiane Alves Souza relatou que, durante uma conversa tensa com o síndico, ele teria desferido um soco com o cotovelo em seu rosto. O incidente ocorreu quando ela subiu com Cleber para o apartamento e começou a gravar a discussão, que girava em torno de problemas no abastecimento hídrico do prédio. "De repente, ele pegou e me deu um soco, uma cotovelada no meu rosto. Meu celular caiu, meu óculos caiu", contou a corretora, segundo registros policiais.

Por outro lado, a defesa de Cleber apresentou uma versão diferente dos fatos. Em seu depoimento, o síndico alegou que Daiane o empurrou durante a discussão, fazendo com que o celular dela caísse no chão enquanto ela gravava. "Daiane me abordou com o telefone na mão, dizendo que estava gravando e falando várias coisas que eu nem lembro muito ao certo. Em dado o momento, eu fui para sair, ela começou a me empurrar e, num desses movimentos, o telefone dela caiu no chão e ela começou a gritar e virou uma confusão danada", explicou Cleber. Quanto à acusação de lesão corporal, o g1 não obteve um posicionamento formal da defesa sobre esse ponto específico.

Prisão e confissão do homicídio

Cleber Rosa de Oliveira foi preso na madrugada de quarta-feira (28), juntamente com seu filho, Maicon Douglas de Oliveira, suspeito de obstruir a investigação. O síndico confessou o homicídio de Daiane Alves Souza e levou a polícia a uma área de mata em Ipameri, também no sul de Goiás, onde o corpo da corretora foi encontrado em estado de ossada, a cerca de 20 quilômetros de Caldas Novas. O delegado Pedromar Augusto de Souza confirmou a prisão e destacou que o porteiro do prédio foi conduzido coercitivamente para prestar esclarecimentos, embora seu nome não tenha sido divulgado.

A defesa de Cleber e Maicon emitiu uma nota informando que os fatos ainda estão sendo apurados e que o síndico aguarda audiência de custódia. "A defesa salienta que não há qualquer envolvimento do filho Maicon Douglas de Oliveira na morte da Sra. Daiane Alves de Souza", afirmou o escritório Nestor Távora e Laudelina Inácio Advocacia Associada, representando os interesses dos acusados.

Contexto do desaparecimento e conflitos no condomínio

Daiane Alves Souza desapareceu no dia 17 de dezembro, após ir ao subsolo do prédio para restabelecer a energia do seu apartamento. Ela gravou vídeos mostrando a falta de eletricidade e os enviou para uma amiga, mas não foi mais vista. Sua mãe, Nilze Alves, relatou que a filha enfrentava desavenças com moradores do condomínio, incluindo uma assembleia que aprovou sua expulsão, posteriormente suspensa pela Justiça devido a irregularidades na convocação e ausência de direito de defesa.

O caso continua sob investigação, com a polícia analisando as conexões entre a agressão denunciada e o homicídio, enquanto a comunidade de Caldas Novas aguarda por mais esclarecimentos sobre esse trágico episódio que envolve violência e conflitos urbanos.