Síndico confessa assassinato de corretora após 40 dias desaparecida em Caldas Novas
Cleber Rosa de Oliveira, síndico de um prédio em Caldas Novas, Goiás, confessou o assassinato da corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos. O crime ocorreu após uma discussão acalorada na garagem do subsolo do Edifício Ametista Tower, localizado no Residencial Golden Thermas. Daiane ficou desaparecida por 40 dias até seu corpo ser encontrado em uma área de mata às margens da GO-213, a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas.
Detalhes do crime e prisões
Cleber e seu filho, Maicon Douglas Souza de Oliveira, foram presos pela Polícia Civil de Caldas Novas na quarta-feira, 28 de janeiro. Maicon é suspeito de tentar obstruir as investigações, incluindo fornecer um celular novo ao pai para ocultar provas. Além deles, o porteiro do prédio foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos, mas seu nome não foi divulgado.
Segundo a polícia, Cleber usou as escadas do prédio para evitar ser filmado pelas câmeras de segurança durante o crime. Ele confessou ter cometido o homicídio em um intervalo de oito minutos e, posteriormente, levou a polícia ao local onde havia deixado o corpo de Daiane. Imagens de câmeras de segurança mostram Cleber saindo do prédio por volta das 20h do dia do desaparecimento, dirigindo sua picape com o corpo na carroceria.
Histórico de conflitos e investigações
Daiane e Cleber tinham um histórico de brigas e denúncias, incluindo 12 processos nas áreas cível e criminal. Onze desses processos ainda tramitam na Justiça, e um foi arquivado com decisão favorável à corretora. O mais recente, protocolado em 19 de janeiro, envolve acusação de perseguição (stalking) com agravante de abuso de função contra Cleber.
As investigações começaram após a família registrar o desaparecimento cerca de 24 horas após o último contato, em 18 de dezembro. Inicialmente, o caso não era tratado como crime, mas a Polícia Civil criou uma força-tarefa em 15 de janeiro para intensificar as buscas. A força-tarefa concluiu que apenas Cleber teria acesso e condições de cometer o crime sem ser visto pelas câmeras.
Reações e contexto familiar
A família de Daiane expressou desespero durante o período de buscas, afirmando que ela não teria saído do prédio por vontade própria. Eles destacaram vídeos enviados por Daiane a uma amiga, nos quais ela deixa a porta do apartamento aberta ao entrar no elevador, indicando que pretendia voltar rapidamente. A mãe da corretora, Nilse Alves Pontes, relatou que encontrou a porta trancada ao chegar ao apartamento e que não houve movimentações bancárias após o desaparecimento.
O advogado criminalista Felipe Borges de Alencar, em entrevista à TV Anhanguera, disse que ainda não tinha tido acesso à investigação e aguardava informações para emitir uma nota. A defesa de Cleber e Maicon não se manifestou até a última atualização da reportagem.
Este caso chama a atenção para questões de segurança em condomínios e a violência urbana, destacando a importância de investigações detalhadas em crimes complexos.