Síndico confessou assassinato de corretora após proibi-la de trabalhar no condomínio em Caldas Novas
Síndico confessa assassinato de corretora em Caldas Novas

Síndico confessou assassinato de corretora após proibi-la de trabalhar no condomínio em Caldas Novas

O corpo da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, que estava desaparecida desde dezembro de 2025, foi encontrado em uma área de mata no município de Ipameri, a cerca de 20 quilômetros de Caldas Novas, em Goiás. A polícia confirmou que o síndico do condomínio onde ela morava, Cleber Rosa de Oliveira, confessou o homicídio e foi preso, junto com seu filho, Maicon Douglas de Oliveira, suspeito de obstruir as investigações.

Áudio revela proibição de trabalho semanas antes do crime

Um áudio enviado pelo síndico Cleber Rosa a uma proprietária de apartamento, semanas antes do desaparecimento de Daiane, mostra que a corretora estava proibida de atuar com locações no prédio. Na gravação, Cleber afirma que a decisão não seria revista e que a recepção do condomínio não prestaria mais nenhum tipo de atendimento a ela.

"Eu não vou voltar atrás dessa decisão minha, ela está proibida. A recepção não vai prestar serviço, atendimento a ela, não vai entregar ficha, não vai fazer nada. Então, a Daiane não pode mais trabalhar com administração de apartamentos aqui", disse o síndico no áudio.

Ele ainda mencionou que as reservas já feitas por Daiane seriam respeitadas para não prejudicar clientes e proprietários, mas reforçou que, a partir daquele momento, ela não teria mais acesso às rotinas do prédio.

E-mail denunciou ameaças e medo pela vida

Antes de desaparecer, Daiane enviou um e-mail ao 2º Juizado Especial Cível e Criminal de Caldas Novas relatando que sofria ofensas e ameaças. No documento, ela afirmou ter medo pela própria vida e pediu medidas de proteção.

Segundo o relato, as agressões partiam de Maicon Douglas de Oliveira, filho do síndico, que também atuava com locações no prédio. Daiane descreveu que os ataques tinham o objetivo de afastá-la do trabalho no condomínio para que apenas ele continuasse atuando no local.

O e-mail detalhou ofensas com teor misógino, humilhante e depreciativo, incluindo ataques à idade e à condição financeira da corretora. O documento também citou violência psicológica e pedidos de indenização por danos morais.

Desaparecimento e descoberta do corpo

Daiane desapareceu no dia 17 de dezembro de 2025, após ser vista pela última vez no subsolo do prédio onde morava. A investigação aponta que ela teria ido ao local para tentar restabelecer a energia elétrica do apartamento, que estava sem luz.

O corpo da corretora foi encontrado dias depois em estado de ossada. De acordo com a polícia, o síndico Cleber Rosa levou os investigadores até o local onde deixou o corpo após o crime. Além dele e do filho, um porteiro do condomínio foi conduzido para prestar esclarecimentos.

Histórico de agressão anterior

Em maio de 2025, meses antes do desaparecimento, Daiane já havia denunciado Cleber por lesão corporal. Ela afirmou que foi agredida com um golpe de cotovelo durante uma discussão sobre falta de água no prédio, chegando a filmar o momento da agressão.

Na época, Cleber negou a agressão e alegou que houve um empurrão durante a discussão, o que teria derrubado o celular da vítima. A defesa dele não se manifestou sobre a acusação.

A Polícia Civil segue apurando o caso para esclarecer todas as circunstâncias do crime, incluindo os conflitos envolvendo a administração do condomínio e as restrições impostas à vítima antes da morte.