Servidor público é preso em Colatina por estupro de criança durante excursões
Um servidor público de 43 anos da Prefeitura de Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, foi preso nesta quarta-feira (21) na sede da administração municipal. A prisão ocorreu após condenação por estupro de vulnerável, com pena de 11 anos, dois meses e 12 dias de reclusão em regime fechado.
Detalhes dos crimes cometidos durante viagens religiosas
Segundo relatos da mãe da vítima, que preferiu manter anonimato, os abusos sexuais aconteceram em dois momentos distintos quando a criança tinha nove e onze anos de idade. Os primeiros episódios ocorreram durante uma excursão organizada por uma igreja com destino à Canção Nova, em São Paulo.
O servidor, que integrava a equipe responsável pela organização da viagem, cometeu os abusos tanto no transporte quanto no alojamento durante essa primeira excursão. Dois anos depois, em outra viagem ao mesmo destino religioso, a vítima foi novamente submetida a abusos, desta vez acompanhada por familiares.
Trajetória profissional do acusado e localização dos crimes
Na época dos crimes, Fabrício dos Santos Vieira residia em Linhares, no Norte do Espírito Santo, e atuava no setor administrativo do Conselho Tutelar do município. Atualmente, é servidor concursado efetivo da Prefeitura de Colatina desde 2019, trabalhando na Secretaria de Administração.
A vítima, que hoje possui 21 anos, somente conseguiu relatar os abusos cinco anos após os crimes terem ocorrido. A partir desse momento, iniciou-se o processo de denúncia e investigação que culminou na condenação.
Procedimentos judiciais e posicionamento da prefeitura
O mandado de prisão foi expedido pela 3ª Vara Criminal de Linhares e o processo, que está sob segredo de Justiça, já transitou em julgado, sem possibilidade de recursos. Após a prisão na prefeitura, o servidor foi conduzido pela Guarda Municipal à Delegacia Regional de Colatina e posteriormente encaminhado ao Centro de Detenção Provisória.
Em nota oficial, a Prefeitura de Colatina manifestou solidariedade à vítima e informou que a Procuradoria-Geral do Município analisará medidas administrativas, incluindo a possível perda do cargo público, assim que tiver acesso à decisão judicial. A administração municipal destacou ainda que não constam atos de desabono na ficha funcional do servidor.
Contexto do caso e próximos passos
O caso revela a vulnerabilidade de crianças em ambientes que deveriam oferecer proteção, como excursões religiosas organizadas por instituições. A demora de cinco anos para a vítima conseguir denunciar os abusos ilustra as dificuldades enfrentadas por sobreviventes de violência sexual.
A possibilidade de perda do cargo público ainda será analisada pelas autoridades municipais, que aguardam a documentação completa da decisão judicial para tomar as providências administrativas cabíveis.