Sargento da PM é condenado e expulso por invadir residência e furtar perfume em Teresina
O sargento Avelar dos Reis Mota, conhecido como Sargento Mota, foi expulso da Polícia Militar do Piauí após ser condenado a 4 anos e 2 meses de prisão por invadir uma casa e furtar um perfume em Teresina. O crime ocorreu em fevereiro de 2023, e a decisão de expulsão agora será enviada para análise do governador Rafael Fonteles (PT), que poderá sancioná-la ou rejeitá-la. Enquanto isso, a defesa do policial anunciou que vai recorrer na Justiça Militar, e o sargento continua na corporação até a conclusão do processo.
Detalhes da invasão e do furto
O furto aconteceu na tarde de 15 de fevereiro de 2023, no bairro Areias, Zona Sul de Teresina. Na ocasião, o sargento estava escalado para trabalhar no bairro Promorar, mas foi até a casa da vítima com o cabo que dirigia a viatura. Segundo o processo, Mota entrou na residência, que ainda estava em construção, sem autorização e sem mandado judicial. Ele utilizou uma chave falsa para cometer o furto do perfume e, ao sair, tentou danificar a câmera de segurança. Como não conseguiu, cortou os fios de energia. Em julho de 2023, outra viatura retornou ao local, e a vítima relatou que um policial encapuzado atirou contra a câmera, destruindo o equipamento, e que outros policiais fizeram disparos dias após o furto.
Fundamentos da condenação
As imagens das câmeras da casa e de vizinhos foram fundamentais para a condenação. O Ministério Público afirmou que ficou comprovado que o sargento entrou sem autorização e cometeu o furto, com testemunhas e a escala de serviço corroborando o crime. A Justiça Militar determinou que a pena seja cumprida em regime semiaberto e aplicou uma agravante por abuso de poder, já que o crime foi cometido durante o serviço. Os antecedentes criminais de Mota também influenciaram na decisão, mas a sentença permite que ele recorra em liberdade.
Motivos da expulsão e contexto adicional
A expulsão foi assinada pelo comandante-geral da Polícia Militar do Piauí, coronel Scheiwann Lopes, e motivada por infrações que envolvem a utilização da condição de militar para obter facilidades pessoais e por apropriação de bens particulares. Em outubro de 2024, Mota também foi alvo da Operação Jogo Sujo II, da Polícia Civil do Piauí, que investigou o policial e influenciadores digitais por estelionato, divulgação de jogos de azar e lavagem de dinheiro. O corregedor da PM, coronel Newmarcos Pessoa, informou que a decisão será encaminhada para sanção do Governo do Piauí e que a defesa pode recorrer.
Posição da defesa e próximos passos
O advogado Otoniel Bisneto, que representa o sargento, afirmou ter sido informado sobre a decisão e que irá recorrer. Ele alegou que um colegiado de oficiais de segurança havia apontado a possibilidade de aposentadoria compulsória de Mota e que a condenação foi injusta, com falhas no processo, como vídeos usados como prova sem perícia técnica. Até que a Justiça analise os recursos, o sargento segue em serviços internos da Polícia Militar, afastado das operações nas ruas. A expulsão decidida pela corporação também precisa ser confirmada pelo governador Rafael Fonteles, que não se manifestou até o momento.



