Santos debate lei que veta condenados por crimes sexuais contra menores em cargos públicos
Santos debate lei que veta condenados por crimes sexuais em cargos

Santos avança em projeto que impede condenados por crimes sexuais contra menores em cargos públicos

A Câmara Municipal de Santos, localizada no litoral paulista, realizará na próxima quinta-feira, dia 5, a primeira discussão de um projeto de lei de grande impacto social. A proposta, de autoria do vereador Rafael Pasquarelli, do partido União, visa proibir expressamente a contratação ou nomeação de indivíduos condenados por crimes sexuais contra crianças e adolescentes para quaisquer cargos públicos no município, sejam eles diretos ou indiretos.

Alcance da proibição e crimes abrangidos

O Projeto de Lei nº 29/2025, que tem votação marcada para as 16 horas, estabelece uma barreira significativa no serviço público. O texto legal impede a admissão de pessoas com condenação definitiva, após trânsito em julgado, por uma série de delitos graves. Entre eles estão o abuso sexual, o estupro de vulneráveis, a exploração sexual, a produção ou distribuição de pornografia infantil e o crime de aliciamento sexual de menores.

Conforme detalhado na proposta, a vedação à contratação permanecerá válida durante todo o período de cumprimento da pena imposta ao condenado. Além disso, a proibição se estenderá por um prazo adicional de doze anos após o término da sentença. Somente após o decurso desse intervalo total é que a contratação pela administração pública municipal voltaria a ser permitida, de acordo com os termos do projeto.

Objetivo de proteger o público vulnerável

O autor da matéria, vereador Rafael Pasquarelli, enfatizou que a medida tem um propósito claro de proteção. "A iniciativa busca impedir o acesso de condenados por esses crimes hediondos, principalmente em funções que envolvam o contato direto com esse público vulnerável", declarou. Ele citou como exemplos críticos as instituições de ensino, hospitais públicos, creches municipais e quaisquer outros espaços onde haja concentração de crianças e adolescentes.

Pasquarelli argumentou ainda que a lei enviará uma mensagem contundente à sociedade. "Ao proibir a contratação de condenados por tais crimes, estará se enviando uma mensagem clara de que não há espaço para a impunidade quando se trata da violação dos direitos de nossos menores em nossa cidade", justificou o parlamentar, conectando a proposta a uma necessidade urgente de segurança e responsabilização.

Trâmite legislativo e próximos passos

A votação do projeto, que inicialmente estava prevista para ocorrer na última terça-feira, dia 3, foi adiada para a sessão desta quinta-feira. Caso o texto seja aprovado em primeira discussão, ele retornará à pauta dos vereadores para uma segunda e decisiva votação. Se obtiver novamente a maioria dos votos favoráveis, o projeto seguirá para a mesa do prefeito Rogério Santos, do Republicanos, que terá a competência de sancioná-lo ou vetá-lo integral ou parcialmente.

Esta discussão ocorre em um contexto nacional de crescente preocupação com a violência sexual contra menores, onde meninas adolescentes figuram como as principais vítimas de crimes como estupro coletivo. A proposta em Santos representa, portanto, uma ação legislativa local que busca criar um ambiente mais seguro e coibir a reinserção de infratores em posições de possível risco para a população infanto-juvenil.