Polícia confirma que sangue em casa de vítima era dela e do pai; PM usou IA para áudio falso
Sangue em casa era de vítima e pai; PM usou IA para áudio falso

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul concluiu, nesta sexta-feira (17), o inquérito que investiga o desaparecimento de três membros da família Aguiar, ocorrido em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O caso, que chocou a comunidade local, envolve o policial militar Cristiano Domingues Francisco, principal suspeito, que teria utilizado tecnologia de inteligência artificial para criar um áudio falso imitando a voz de sua ex-mulher, Silvana de Aguiar, de 48 anos.

Detalhes macabros do crime

Segundo as investigações, o PM utilizou o áudio fraudulento para atrair os ex-sogros, Isail e Dalmira Aguiar, que também desapareceram há mais de 80 dias. A perícia confirmou, nesta semana, que o sangue encontrado na residência de Silvana pertencia a ela e ao pai dela, Isail. "Eu sei que se criou esse mito de que sem a presença dos corpos não há materialidade, mas, na verdade, a gente já tem um vasto conteúdo que aponta no sentido de que a materialidade pode ser provada de forma indireta", afirmou o delegado Anderson Spier.

Motivação e envolvidos

A polícia aponta que a motivação do crime seria uma disputa pela criação do filho do PM com Silvana, além de questões financeiras ligadas ao patrimônio da família Aguiar. Cristiano foi indiciado por feminicídio, dois homicídios e ocultação de cadáver. Outras três pessoas também foram indiciadas: a atual esposa do PM e o irmão dele, por fraude processual, e um amigo, por falso testemunho.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Cronologia dos fatos

O desaparecimento ocorreu no final de janeiro, com eventos que se desenrolaram de forma meticulosa:

  1. 24 de janeiro: Silvana é vista pela última vez. Uma publicação falsa em suas redes sociais alegava um acidente em Gramado, mas a perícia confirmou que o celular dela nunca esteve na Serra Gaúcha.
  2. 25 de janeiro: Os pais de Silvana, alertados por vizinhos, saem para procurar a filha. Após tentarem registrar o desaparecimento, visitam a casa do ex-genro, Cristiano, e depois são vistos entrando em um carro não identificado, desaparecendo desde então.
  3. Fevereiro: Investigações intensificadas revelam vestígios de sangue na casa de Silvana, localização do celular dela escondido em terreno baldio, e a prisão temporária de Cristiano após quebra de sigilo telefônico.
  4. Abril: Justiça decreta prisão preventiva do PM, com base em evidências indiretas que sustentam a materialidade do crime.

Uso de tecnologia no crime

O inquérito detalha como o suspeito utilizou recursos tecnológicos para encobrir seus atos. Além do áudio falso criado com IA, houve manipulação de localização do celular e tentativas de interferir na investigação através de comunicações. A polícia constatou que, no momento da ligação falsa informando o acidente, ambos os celulares de Silvana e Cristiano estavam na região de Gravataí, não em Gramado.

Posicionamento da defesa

A defesa de Cristiano emitiu uma nota afirmando que "aguarda o encaminhamento do inquérito, sendo que, pela finalização das investigações, deverá ter acesso amplo e irrestrito a todos os procedimentos cautelares que se encontram em segredo de justiça, possibilitando um posicionamento mais assertivo".

O caso continua sob acompanhamento judicial, com buscas pelos corpos das vítimas ainda em andamento em áreas rurais da Região Metropolitana de Porto Alegre, utilizando até mesmo cães farejadores. A comunidade de Cachoeirinha segue mobilizada, realizando protestos e caminhadas pedindo justiça e solução para este crime que abalou a região.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar