Árvore de Natal é peça-chave na perícia que desmente versão de tenente-coronel acusado de feminicídio
Árvore de Natal desmente versão de tenente-coronel em caso de feminicídio

Reconstituição em 3D revela contradição crucial em depoimento de militar acusado de matar esposa

Um detalhe aparentemente simples, uma árvore de Natal decorativa, tornou-se elemento central na investigação da morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos. A perícia da Polícia Civil de São Paulo realizou uma minuciosa reconstituição em 3D do apartamento do casal no Brás, zona leste da capital paulista, que desmente completamente a versão apresentada pelo tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, marido da vítima e principal acusado pelo crime.

Árvore bloqueava visão e inviabiliza narrativa do acusado

Segundo o relatório pericial obtido com exclusividade, a árvore de Natal estava posicionada no chão da sala, ao lado do sofá, exatamente no local onde o corpo de Gisele foi encontrado no dia 18 de fevereiro. Através de scanner de precisão que mapeou medidas e posições exatas de móveis, portas e objetos, os peritos demonstraram que, da posição onde Neto afirmou estar ao abrir a porta do banheiro, a visão do corpo seria completamente obstruída pela árvore.

"A sequência de eventos narrada por Neto corrobora, em partes, com o que foi narrado pelos socorristas, a partir da chegada destes ao 27º andar. No entanto, cabem as seguintes considerações a respeito das divergências de narrativas", afirma trecho do documento. O relatório destaca que fotos feitas pelo Sargento Rodrigues mostram nitidamente a presença da árvore na posição original, sendo que ela só foi removida posteriormente para permitir os procedimentos de socorro.

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Versão do suicídio é completamente descartada pela perícia

Além da contradição sobre a visibilidade do corpo, a perícia apresentou conclusões definitivas sobre a natureza da morte. O relatório descarta categoricamente a possibilidade de suicídio, versão inicialmente apresentada pelo tenente-coronel quando acionou a polícia. Segundo os peritos, Gisele foi abordada pelas costas e atingida por um tiro de cima para baixo na altura da cabeça, configuração incompatível com autoinflição.

Outro elemento que reforça a tese do feminicídio é o fato de o corpo da soldado ter sido encontrado segurando a arma de fogo, movimento considerado implausível em casos de suicídio segundo especialistas forenses. A investigação aponta que o tiro foi desferido enquanto a vítima estava de costas para o agressor, caracterizando ação premeditada.

Contexto de relacionamento abusivo emerge das investigações

As investigações revelaram um histórico preocupante no relacionamento do casal. Mensagens extraídas do celular do tenente-coronel mostravam uma dinâmica claramente abusiva, na qual ele se autodenominava "macho alfa" e exigia submissão completa da esposa. Familiares de Gisele confirmaram que ela havia expressado o desejo de separação, chegando a declarar que não trocaria "sexo por moradia", em referência direta às exigências do marido.

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto encontra-se atualmente preso preventivamente e já foi denunciado pelo Ministério Público pelo crime de feminicídio. Caso condenado, enfrenta pena que pode variar entre 20 e 40 anos de reclusão, conforme prevê o artigo 121-A do Código Penal. A aceitação da denúncia pelo judiciário colocou oficialmente o militar no banco dos réus, marcando mais um capítulo trágico na violência contra mulheres no Brasil.

A reconstituição técnica minuciosa realizada pela perícia paulista não apenas desmontou a versão apresentada pelo acusado, mas também destacou a importância dos métodos forenses modernos na elucidação de crimes complexos. O caso segue sob acompanhamento rigoroso das autoridades, com expectativa de que a justiça seja plenamente aplicada.

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