Roubos a farmácias em Campinas aumentam 7,4% em 2025, impulsionados por canetas emagrecedoras
Com as canetas emagrecedoras se tornando alvo preferencial de criminosos, os registros de roubos e furtos a farmácias em Campinas (SP) registraram uma alta significativa de 7,4% entre os anos de 2024 e 2025, conforme dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP). O levantamento abrange todos os boletins de ocorrência (BOs) registrados na metrópole durante os períodos de janeiro a dezembro de cada ano, revelando um cenário preocupante para o comércio farmacêutico local.
Dados estatísticos e tendências estaduais
Em números absolutos, Campinas contabilizou 67 casos em 2024, que subiram para 72 em 2025, refletindo um incremento constante na criminalidade direcionada a esses estabelecimentos. Apenas no mês de janeiro de 2026, a Polícia Civil já registrou seis ocorrências, indicando que a tendência de alta pode se manter no curto prazo. Em escala estadual, o problema também se amplia, com um crescimento de 3,4% nos registros, passando de 2.519 para 2.607 boletins de ocorrência entre 2024 e 2025. No primeiro mês de 2026, foram 248 BOs em todo o estado, destacando a magnitude do fenômeno.
Medidas de segurança e alertas do setor
Diante desse cenário, o Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado (Sincofarma) tem implementado novas estratégias para tentar conter a onda de crimes. Rafael Espinhel, consultor jurídico da entidade, explica que as ações incluem a criação de protocolos de segurança internos nos estabelecimentos, intensificação do monitoramento por câmeras e ajustes na gestão de estoques, com redução do volume de medicamentos de alto valor, como as canetas emagrecedoras. "Internamente, temos criado protocolos de segurança nos estabelecimentos e intensificado o monitoramento. Também promovemos mudanças na gestão dessas linhas de medicamentos, com a redução do volume de estoque nos estabelecimentos", detalha Espinhel.
Além disso, o representante do sindicato alerta para os riscos à saúde pública decorrentes do mercado paralelo e ilegal desses produtos. A alta demanda por canetas emagrecedoras tem fomentado a venda clandestina, onde os medicamentos são comercializados fora do controle sanitário adequado. "Quando você tira esse produto do ambiente que tem o controle sanitário, fiscalizado pela Vigilância Sanitária, e faz a sua venda em mercados paralelos, é importante que a população tenha essa consciência, que ela está se colocando em risco, porque ela não sabe mais a procedência daquele medicamento, como ele foi manuseado, como ele foi guardado e potencializa os riscos da sua utilização", enfatiza Espinhel.
Caso recente ilustra a violência
Um exemplo concreto dessa criminalidade ocorreu na madrugada de quarta-feira (4), por volta das 4h, na Avenida das Amoreiras, em Campinas. Uma farmácia foi invadida por suspeitos que utilizaram um veículo para colidir contra o portão de ferro, causando danos significativos. As câmeras de segurança capturaram o momento em que um carro chegou com cinco indivíduos, sendo que quatro deles desceram e adentraram o estabelecimento, enquanto o motorista permaneceu no local.
Os criminosos direcionaram-se imediatamente para a área de geladeira, onde estavam armazenadas as canetas emagrecedoras, cada uma avaliada em aproximadamente R$ 2,5 mil. Além desses produtos, também foram levados cosméticos de alto valor. Ninguém se feriu durante o incidente, e não houve reféns. De acordo com a gerente da farmácia, este foi o segundo furto em menos de dois meses na mesma unidade, com o modus operandi semelhante, incluindo o roubo de dermocosméticos e canetas emagrecedoras.
Impactos e perspectivas futuras
O aumento nos roubos e furtos a farmácias em Campinas e no estado de São Paulo reflete não apenas uma questão de segurança pública, mas também evidencia os desafios enfrentados pelo setor farmacêutico em meio à crescente demanda por produtos específicos. As medidas adotadas pelo Sincofarma, embora necessárias, ainda enfrentam obstáculos, como a sofisticação dos criminosos e a persistência do mercado ilegal.
Autoridades policiais e entidades do setor continuam monitorando a situação, com foco em prevenir novos casos e proteger tanto os estabelecimentos comerciais quanto a saúde da população, que pode ser comprometida pelo consumo de medicamentos de origem duvidosa. A conscientização pública sobre os riscos associados a esses produtos ilegais é vista como um passo crucial para reduzir a procura e, consequentemente, a criminalidade relacionada.



