Retorno das aulas em Barreiros ocorre com apoio psicosspecial após violência
As atividades letivas na Escola de Referência em Ensino Fundamental e Médio Cristiano Barbosa e Silva, localizada em Barreiros, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, não foram retomadas nesta terça-feira (17), conforme havia sido inicialmente anunciado pela Secretaria de Educação do Estado. A nova previsão estabelece que o retorno aconteça na quarta-feira (18), exatamente dois dias após um grave incidente onde um aluno esfaqueou três colegas de turma dentro da instituição de ensino.
Gestor enfatiza importância do acolhimento e normalidade
De acordo com Danilo Santos, gestor da Gerência Regional Estadual (GRE) da Zona da Mata Sul, a retomada das atividades é fundamental para acolher adequadamente os estudantes após a agressão violenta ocorrida na segunda-feira (16). Ele assegurou que não haverá prejuízos para o calendário escolar, pois as aulas que foram suspensas durante esta semana serão integralmente repostas em datas posteriores.
Santos destacou que a unidade de ensino conta atualmente com equipes especializadas do Núcleo de Apoio Psicossocial (Naps), incluindo psicólogos e assistentes sociais, que estão no local para contextualizar a situação, conversar profundamente com os professores e escutar atentamente os estudantes após o trauma vivido. "A orientação era que realmente tivesse o dia letivo funcionando para acolher os estudantes que dependem do seu ritmo normal de vida. Então a orientação ontem [segunda-feira] foi, sim, que a escola tivesse aberta, com os professores acolhendo", afirmou o gestor regional.
Professores pediram tempo e medidas de segurança são avaliadas
Contudo, os professores explicaram detalhadamente para o diretor da escola que não seria viável a retomada das aulas acontecer de maneira tão rápida, necessitando de um período para organização e preparação emocional. Em entrevista concedida à TV Globo, Danilo Santos abordou a complexa possibilidade de revistar os alunos da escola, com o objetivo de barrar a entrada de objetos que possam causar riscos, como facas.
"Em relação à observação das bolsas, tem os limites legais do que se pode fazer. Então a gente está averiguando até onde a gente pode ir nesse sentido. Porque, para ter um professor ou algum funcionário averiguando dentro da bolsa do estudante, a gente entende que pode ser uma certa invasão, um constrangimento", declarou Santos, ponderando sobre os aspectos jurídicos e éticos envolvidos.
Projetos de prevenção e histórico da escola
O gestor também ressaltou que o governo do estado criou o projeto EntreLaços, que contempla especificamente a Escola Cristiano Barbosa e Silva. Esta iniciativa busca promover um ambiente escolar mais saudável e inclusivo, contando com palestras educativas para os alunos. Adicionalmente, a escola já possui porteiro e uma parceria consolidada com a Patrulha Escolar para reforçar a segurança.
"É um tema muito delicado. É um caso bem pontual, porque essa escola não tem histórico de violência, ela não tem registro de violência ocorrida aqui. A gente ficou realmente surpreso com o que aconteceu, mas é digno de uma averiguação, de colocar uma lupa", afirmou Danilo Santos, enfatizando a singularidade do episódio.
Detalhes do caso de violência na escola
O incidente ocorreu quando um adolescente de 14 anos esfaqueou três colegas na Escola Cristiano Barbosa e Silva, localizada no bairro dos Lotes, durante a manhã da segunda-feira (16). A agressão aconteceu pouco antes das 7h30, horário de início das aulas, sendo que as vítimas e o agressor estudavam na mesma turma.
- Duas das alunas feridas já receberam alta médica, enquanto a terceira vítima foi transferida para o Hospital da Restauração, no Recife, onde segue "estável, consciente e orientada".
- O adolescente foi contido por funcionários da escola e detido pela Polícia Militar, sendo apreendido por ato infracional análogo à tentativa de homicídio.
- Ele foi ouvido na Delegacia de Palmares antes de passar por audiência de custódia e, segundo o Conselho Tutelar, deve ser conduzido para o Centro de Internação Provisória (Cenip), no Recife.
À TV Globo, o conselheiro tutelar André Costa revelou que o adolescente relatou sofrer bullying, embora as vítimas tenham negado a prática. A gestão da escola informou que não foi procurada pelo adolescente neste ano para denunciar bullying, mas o conselheiro afirmou que, há um ano, após o adolescente escrever na parede do banheiro da escola que cometeria a agressão, a direção conversou com os pais do aluno.
Posicionamento oficial da Secretaria de Educação
Em nota oficial, a Secretaria de Educação do Estado informou que:
- A Patrulha Escolar e a Guarda Patrimonial da escola agiram imediatamente para conter a situação.
- A gestão da escola "presta apoio às vítimas e às famílias com o suporte de uma equipe composta por advogado, assistente social e psicólogo".
- A instituição dispõe de "um psicólogo para atuar na promoção da saúde mental, na prevenção e no enfrentamento das diferentes formas de violência no ambiente escolar".
- A unidade de ensino "mantém, ainda, rotinas de acompanhamento dos estudantes e promove políticas antibullying".
- Está "à disposição para colaborar com as investigações e reforça seu compromisso com a segurança dos estudantes e profissionais da educação", desenvolvendo "em sua proposta político-pedagógica, ações voltadas para a cultura de paz com toda a comunidade escolar".



