Justiça condena quadrilha que usava carros de luxo para lavar dinheiro do tráfico em Ribeirão Preto
Quadrilha usava carros de luxo para lavar dinheiro do tráfico em Ribeirão

Operação desmantela esquema milionário de lavagem de dinheiro com veículos de alto padrão

A Justiça condenou vinte pessoas envolvidas em um sofisticado esquema criminoso que utilizava carros de luxo para lavar dinheiro proveniente do tráfico de cocaína adulterada com cafeína em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. O grupo atuou entre 2019 e 2023, movimentando cerca de R$ 60 milhões em cinco anos através de transações fraudulentas com veículos esportivos avaliados entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão cada.

Líderes do esquema recebem penas severas

Allan Tadashi, identificado como o chefe da organização criminosa, foi sentenciado a 34 anos e quatro meses de prisão. Nevanir de Souza Neto, um dos principais financiadores da quadrilha, recebeu condenação de 21 anos, quatro meses e 20 dias. As investigações da Polícia Federal revelaram que Nevanir movimentou sozinho mais de R$ 21 milhões apenas em 2021, apesar de declarar um salário mensal de R$ 2.400 ao trabalhar na empresa do sogro.

Os demais dezoito integrantes do grupo receberam penas que variam de quatro a 34 anos de reclusão, conforme sua atuação específica dentro da organização. A decisão judicial foi proferida no dia 24 de março, marcando o desfecho de uma extensa investigação que começou com a Operação Car Wash na região.

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Mecanismo complexo de lavagem de capitais

O esquema funcionava através de uma conta bancária controlada por Tadashi e Neto, que recebia os valores das vendas de drogas. O dinheiro era rapidamente convertido em mais entorpecentes, que eram distribuídos para traficantes locais. Os lucros ilícitos do tráfico eram então misturados com os ganhos aparentemente legítimos da compra e venda de automóveis de luxo.

"Os lucros do tráfico eram misturados com os lucros dos carros e, deste modo, a quadrilha tentava enganar as autoridades, demonstrando que os valores eram lícitos", explicou o delegado Marcellus Henrique de Araújo, que coordenou as investigações.

As investigações descobriram que os criminosos adulteravam a quilometragem dos veículos para obter preços mais vantajosos nas transações. Nevanir de Souza Neto era responsável por negociar a compra e venda dos carros através da internet, criando uma fachada empresarial para justificar os altos valores movimentados.

Estrutura organizacional e ramificações

A quadrilha possuía uma estrutura bem definida, com integrantes especializados em diferentes funções:

  • Fornecimento da cafeína utilizada para "batizar" a cocaína e ampliar sua produção
  • Financiamento das operações de tráfico
  • Lavagem de recursos através do comércio de veículos de alto padrão
  • Distribuição da droga nas regiões periféricas de Ribeirão Preto

Durante as buscas realizadas pela Polícia Federal, foram encontrados com Allan Tadashi documentos contábeis detalhados do esquema, incluindo nomes de diversas pessoas e valores que teriam sido repassados em drogas. O mesmo relatório da PF revelou a extensão das movimentações financeiras do grupo.

Reações das defesas e situação processual

A defesa de Nevanir de Souza Neto informou que vai tomar conhecimento da condenação para depois entrar com recurso na Justiça. Ele permanece em liberdade porque, ao longo do processo, conseguiu um habeas corpus para deixar a cadeia. Já a defesa de Allan Tadashi não se manifestou até o fechamento desta reportagem. Tadashi está preso desde 2023, quando a operação policial desmantelou a organização criminosa.

O delegado Marcellus Henrique de Araújo destacou a abrangência da operação: "A gente atingiu duas pontas. A ponta do tráfico, do traficante, que fica nas regiões mais periféricas de Ribeirão, e a gente pegou o pessoal dos condomínios de luxo, de uma classe mais média alta nesse contexto".

Além dos veículos de luxo, os recursos obtidos pelo esquema criminoso eram utilizados para bancar casas em condomínios fechados, demonstrando o padrão de vida elevado mantido pelos integrantes da organização através de atividades ilícitas.

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