Família protesta por justiça após morte de homem por injeção aplicada em farmácia no Acre
Protesto por justiça após morte por injeção em farmácia no Acre

Família exige responsabilização após morte trágica por aplicação de injeção em farmácia no Acre

Em um ato de dor e indignação, familiares de Maiko Oliveira França, de 31 anos, realizaram uma manifestação pública na manhã desta segunda-feira (30) no centro de Tarauacá, no interior do Acre. O protesto busca justiça e responsabilização pela morte do jovem, que ocorreu após complicações graves decorrentes da aplicação de uma medicação injetável em uma farmácia local. O caso, que chocou a comunidade, está sob investigação do Ministério Público do Acre (MP-AC) e do Conselho Regional de Farmácia (CRF-AC).

Detalhes do caso e sequência dos eventos

Segundo relatos da família, Maiko procurou a farmácia no dia 18 de março após sentir tonturas. No estabelecimento, ele teria recebido orientação de uma atendente e, posteriormente, uma injeção intramuscular aplicada na região glútea por uma mulher identificada como filha dos proprietários. A aplicação ocorreu mesmo com hesitação inicial do paciente.

Nos dias seguintes, o quadro de saúde de Maiko deteriorou-se rapidamente:

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  • No dia 19, ele retornou à farmácia com dores intensas e recebeu apenas um spray analgésico.
  • No dia 20, apresentou agravamento dos sintomas, incluindo hematomas e dor extrema, buscando atendimento médico no hospital da cidade.
  • Profissionais de saúde levantaram suspeitas de erro na aplicação, indicando que o medicamento deveria ter sido administrado por via venosa e não intramuscular, com possível volume elevado de cerca de 20 ml.
  • O paciente desenvolveu sinais de comprometimento renal, chegando a urinar sangue.

Maiko ficou internado por dois dias em Tarauacá antes de ser transferido via aérea para Cruzeiro do Sul devido à gravidade de seu estado. Ele chegou ao Hospital Regional do Juruá em condição crítica e faleceu no dia 22 de março. A causa da morte foi diagnosticada como sepse associada a fasciíte necrosante, uma infecção grave que se espalha rapidamente pelo corpo e pode levar à falência de órgãos vitais.

Manifestação familiar e apelo por justiça

Durante o protesto, os familiares exibiram cartazes e fotos que mostravam as lesões na região onde Maiko recebeu a injeção. Eles expressaram profunda dor e revolta, especialmente pelo fato de a farmácia continuar funcionando normalmente. "Viemos pedir justiça e que a justiça seja feita, porque ninguém merece morrer. Foi crime, não foi acidente. Queremos justiça. Ele deixou três filhos que vão crescer com a ausência do pai", afirmou Raimunda Cristiana, prima de Maiko.

A família também destacou a indignação com a falta de reconhecimento por parte do estabelecimento. "É uma dor muito grande na nossa família por conta de um erro de uma farmácia. A farmácia continua funcionando normalmente, como se nada tivesse acontecido, isso causa revolta. Deveria ter pelo menos luto pela nossa família", completou um dos parentes.

Investigações em andamento

O MP-AC instaurou procedimentos nas áreas criminal e cível na última quinta-feira (26) para apurar as circunstâncias da morte. Na esfera criminal, o órgão solicitou à Polícia Civil informações sobre a existência de inquérito e, caso não haja, determinou a instauração para investigar possível responsabilidade penal. Na área cível, o MP requisitou à farmácia dados detalhados sobre o funcionamento do estabelecimento, incluindo a identificação de quem aplicou a medicação, o vínculo com a empresa, o responsável técnico e os protocolos adotados para aplicação de injetáveis.

O CRF-AC também está envolvido nas investigações, atuando em conjunto com os órgãos de justiça. "Neste momento, é importante agir com responsabilidade, porque as circunstâncias ainda estão sendo apuradas [...] nos solidarizamos com a família e reforçamos nosso compromisso com a segurança da população e com o exercício ético da profissão farmacêutica", informou ao g1 a presidente do conselho, Larissa Botelho.

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Maiko deixou três filhos – um de 10 anos, outro de 8 anos e um bebê de um mês – além de uma companheira com quem mantinha união estável há mais de dez anos. A família continua a pressionar por esclarecimentos e justiça, enquanto aguarda os resultados das investigações que podem definir responsabilidades neste trágico episódio.