Professora condenada a 9 anos por racismo contra aluno em escola pública de SP
Professora condenada a 9 anos por racismo contra aluno em SP

Professora é condenada a quase 10 anos de prisão por crime de racismo em escola de Piraju

Uma professora da rede estadual de São Paulo recebeu uma sentença de nove anos e dez meses de prisão, a ser cumprida inicialmente em regime fechado, após ser considerada culpada por cometer crime de racismo contra um estudante em uma escola pública de Piraju, município localizado a aproximadamente 300 quilômetros da capital paulista. O caso, que chocou a comunidade escolar, resultou também na perda do cargo público da educadora e na determinação de uma indenização à vítima.

Ofensas racistas durante aula geraram denúncia e processo judicial

De acordo com os documentos do processo, a professora utilizou expressões preconceituosas para repreender o aluno durante uma aula, chegando a questionar se o jovem, que na época cursava o terceiro ano do ensino médio, não ficava "envergonhado por ser preto". A mãe do estudante, ao tomar conhecimento do ocorrido, comunicou imediatamente o episódio à diretoria da instituição de ensino.

Posteriormente, a professora admitiu ter proferido os termos relatados, mas alegou que não teve a intenção de ofender ou humilhar o aluno, conforme informações divulgadas pela assessoria do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). No entanto, a justificativa não foi suficiente para evitar a condenação.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Juiz destaca gravidade do crime em ambiente educacional

Na sentença, o juiz Tadeu Trancoso de Souza enfatizou que condutas de injúria racial e racismo devem ser combatidas com rigor para se construir uma sociedade justa e solidária, onde todos os indivíduos sejam respeitados em condições de igualdade, em conformidade com a Convenção Interamericana contra o Racismo. O magistrado observou ainda as circunstâncias agravantes do crime, que ocorreu em sala de aula, ministrado por uma professora e na presença de dezenas de alunos.

Em sua fundamentação, o juiz ressaltou que, "ao invés de evocar o aluno para o conhecimento, se valeu dessa condição para injuriá-lo", sublinhando a violação da confiança e do papel educativo que deveria ser exercido pela profissional.

Penalidades incluem perda de cargo e indenização à vítima

Além da pena privativa de liberdade, a professora foi destituída do cargo público que ocupava na rede estadual de ensino. A decisão judicial também estabeleceu o pagamento de uma indenização à vítima no valor equivalente a 20 salários mínimos, como forma de reparação pelos danos morais sofridos.

É importante destacar que a sentença é de primeira instância, o que significa que há possibilidade de recurso junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo. A defesa da professora poderá apresentar argumentos para tentar reverter ou modificar a condenação.

Racismo é crime imprescritível no ordenamento jurídico brasileiro

O caso ganha relevância adicional devido às mudanças na legislação brasileira, que hoje classificam o crime de racismo como um dos poucos que não prescrevem. Em 2021, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por maioria de votos, que a injúria racial configura uma forma de racismo e, portanto, é imprescritível.

Essa decisão do STF negou um habeas corpus no qual a defesa de uma mulher condenada por ofender uma trabalhadora com termos racistas pedia a declaração de prescrição da condenação, com base na idade avançada da ré. O entendimento consolidado reforça o compromisso do sistema judiciário com o combate ao racismo em todas as suas manifestações.

O episódio em Piraju serve como um alerta sobre a necessidade de promover ambientes educacionais livres de discriminação e o papel fundamental dos educadores no respeito à diversidade e na construção de uma sociedade mais igualitária.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar