Justiça decreta prisão preventiva por morte em brinquedo 'minhocão' em Itabirito
Prisão preventiva por morte em brinquedo 'minhocão' em Itabirito

Justiça decreta prisão preventiva após morte em brinquedo 'minhocão' em Itabirito

A Justiça decretou a prisão preventiva do responsável pela operação do brinquedo 'minhocão' e do proprietário do Minas Center Park, parque itinerante localizado em Itabirito, na Região Central de Minas Gerais. A decisão ocorre após a morte da jovem Carolina Beatriz de Deus Maciel na noite do último sábado (11), quando o brinquedo descarrilou e capotou durante uma curva em alta velocidade.

Mudança na tipificação do crime

Inicialmente, os dois acusados haviam sido presos em flagrante por lesão corporal e homicídio culposo. No entanto, após análise do caso, a juíza Luiza Starling de Carvalho considerou que se trata de homicídio com dolo eventual – situação em que o agente não deseja o resultado criminoso, mas assume o risco de produzi-lo.

"Os responsáveis tinham plena consciência do risco elevado envolvido na atividade e, mesmo assim, optaram por prosseguir com a exploração econômica do parque, assumindo o risco de ocorrência de resultado letal", destacou a magistrada em trecho da decisão.

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Detalhes do acidente fatal

Segundo documentos judiciais, quando o acidente ocorreu, quatro pessoas ocupavam o primeiro vagão do minhocão. O brinquedo possuía apenas uma barra de contenção para as mãos, o que resultou no arremesso das vítimas ao chão após o descarrilamento.

Carolina Beatriz sofreu um traumatismo craniano grave que levou a uma parada cardiorrespiratória. Equipes de resgate tentaram reanimá-la, mas a jovem não resistiu aos ferimentos. Outras três pessoas apresentaram ferimentos leves e foram encaminhadas para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Itabirito.

Falhas na segurança e responsabilização

A juíza apontou diversas falhas na operação do parque. O operador do minhocão reconheceu que o acidente pode ter ocorrido em razão do excesso de peso, mas, segundo a magistrada, era atribuição dele "controlar o acesso ao brinquedo e autorizar a entrada dos usuários, podendo, portanto, impedir a utilização simultânea das vítimas caso identificasse risco".

Em relação ao proprietário do parque, a decisão judicial destacou que ele não apresentou documentos que comprovassem a segurança dos brinquegos, que estavam em "condições precárias". A magistrada concluiu que "as medidas cautelares diversas da prisão revelam-se insuficientes e inadequadas no caso, diante da magnitude do fato e do risco concreto evidenciado".

Posição das defesas

O advogado Giuliano Vettori Carvalho, que defende os dois presos, afirmou que vai requerer a revogação da prisão preventiva. "Recebemos com surpresa a nova tipificação do dolo eventual, considerando que o parque tem toda a documentação, todas as inspeções. Todas as manutenções preventivas e corretivas estão em dia", declarou.

O defensor acrescentou que o parque está "dando toda a assistência para a família da vítima e colaborando integralmente com todas as investigações".

Por outro lado, o advogado da família da jovem Carolina Beatriz, Daniel Soares, disse que a decisão "destaca que o funcionamento do parque se dava em condições potencialmente inseguras". Ele afirmou que a prisão preventiva foi decretada "não apenas pela gravidade concreta do caso, mas também para garantir a adequada apuração dos fatos, evitando qualquer interferência na produção de provas e na oitiva de testemunhas".

Os dois acusados passaram por audiência de custódia na tarde deste domingo (12), quando a prisão preventiva foi formalizada pela Justiça de Minas Gerais.

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