Delegado revela detalhes sobre prisão preventiva de PM suspeito de feminicídio e duplo homicídio em Cachoeirinha
Prisão preventiva de PM por feminicídio e duplo homicídio em Cachoeirinha

Delegado concede entrevista exclusiva sobre caso da família Aguiar em Cachoeirinha

A Justiça decretou a prisão preventiva do policial militar Cristiano Domingues Francisco, principal suspeito pelo desaparecimento da ex-esposa Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e dos pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69 anos, e Dalmira Germann de Aguiar, 70 anos, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Ele já estava preso temporariamente desde o dia 10 de fevereiro, e a decisão ocorre após um pedido da Polícia Civil, 75 dias após o sumiço da família, na reta final do inquérito que apura o crime.

Silêncio do suspeito e motivações do crime

Em depoimento na segunda-feira (6), o PM voltou a ficar em silêncio durante as 2h30 de oitiva. Após ser ouvido inicialmente como testemunha, ele passou a usar o direito de ficar calado em todos os interrogatórios desde que se tornou o principal suspeito do triplo homicídio. A investigação trata o caso como feminicídio, no caso de Silvana, e duplo homicídio, referente aos idosos. Os investigadores veem como remotas as chances de encontrá-los com vida, e buscas já foram realizadas em Cachoeirinha e cidades vizinhas, sem sucesso.

Segundo o delegado Anderson Spier, a motivação do crime envolve tensões na criação do filho do casal e questões financeiras. "A gente tem já na investigação formalizada que a motivação passa pela questão da tensão existente entre o suspeito e a Silvana com relação à educação do filho", afirma Spier. Duas semanas antes do desaparecimento, Silvana procurou o Conselho Tutelar para relatar que o pai não seguia suas orientações nos cuidados com a criança, que teria restrições alimentares.

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Além disso, uma possível motivação financeira é destacada. "Envolvia imóveis, casas de aluguel, apartamentos de aluguel. E a gente sabe que em caso da morte da Silvana e dos pais dela, todos esses bens, numa sucessão, posteriormente, viriam a se tornar propriedade do neto", explica o delegado. A família Aguiar possuía patrimônio significativo, o que pode ter influenciado o crime.

Novos investigados e obstrução da justiça

No final de março, três pessoas ligadas ao policial militar passaram à condição de suspeitas por atrapalharem as investigações. Conforme o delegado:

  • Uma parente de Cristiano é investigada por apagar dados em dispositivos eletrônicos e na nuvem, sendo suspeita de fraude processual.
  • Um homem, familiar do PM, teria deletado imagens de câmeras da casa onde mora a mãe de Cristiano, também suspeito de fraude processual.
  • Uma terceira pessoa próxima do PM é investigada por falso testemunho, após mentir em depoimento para dar falsos álibis ao principal suspeito.

O advogado de Cristiano, Jeverson Barcellos, afirma que segue atuando no caso e aguarda a conclusão do inquérito policial para se manifestar.

Linha do tempo do desaparecimento

O caso começou em janeiro, com eventos-chave que levaram à prisão do suspeito:

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  1. Antes do sumiço: Em 2 de janeiro, Silvana solicita o contato do Conselho Tutelar; em 9 de janeiro, ela registra que o ex-marido desrespeitava restrições alimentares do filho.
  2. Fim de semana dos desaparecimentos: Em 24 de janeiro, Silvana é vista pela última vez; uma postagem falsa em redes sociais sobre um acidente em Gramado é usada para despistar. Imagens de segurança mostram movimentação atípica de veículos em sua residência. Em 25 de janeiro, os pais saem para procurá-la e são vistos pela última vez entrando em um carro não identificado.
  3. Início das investigações: Em 27 e 28 de janeiro, as ocorrências são registradas; Cristiano comunica o sumiço e pede guarda do filho. Em 1º de fevereiro, ele envia foto da casa dos sogros; em 3 de fevereiro, um projétil é encontrado no pátio.
  4. Perícias e prisão: Em 5 de fevereiro, vestígios de sangue são coletados na casa de Silvana; em 7 de fevereiro, seu celular é encontrado escondido. Em 10 de fevereiro, Cristiano é preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar interferência na investigação.
  5. Desdobramentos recentes: Em 20 de fevereiro, o suspeito fica em silêncio no depoimento; em 24 de fevereiro, perícia confirma que o celular nunca esteve em Gramado. Buscas com cães foram realizadas em fevereiro e março, sem localizar os corpos.

O caso continua sob investigação, com a polícia tratando-o como um dos mais complexos da região, envolvendo violência doméstica e crimes graves.