Deputado distrital Hermeto é indiciado por esquema de rachadinha no DF
Deputado Hermeto indiciado por rachadinha no Distrito Federal

Deputado distrital Hermeto é indiciado por esquema de rachadinha no Distrito Federal

O deputado distrital Hermeto (MDB), membro da Câmara Legislativa do Distrito Federal, foi formalmente indiciado pela Polícia Civil do DF sob suspeita de envolvimento em um esquema de "rachadinha" dentro de seu próprio gabinete parlamentar. De acordo com as investigações, servidores comissionados que ocupavam cargos de confiança eram coagidos a devolver parte significativa de seus salários diretamente ao deputado, prática que teria se iniciado em janeiro de 2019.

Acusados e crime de concussão

Além do parlamentar, também foram indiciados o chefe de gabinete Licérgio Oliveira de Souza e a esposa de Hermeto, Keilla Alves de Almeida. O crime apontado pelas autoridades é o de concussão, caracterizado quando um funcionário público exige vantagem indevida aproveitando-se abusivamente de sua posição oficial. A pena para esse delito varia entre dois e doze anos de prisão, além do pagamento de multa.

Defesa do deputado e procedimentos judiciais

Através de suas redes sociais, o deputado Hermeto negou veementemente todas as acusações, afirmando que o caso se baseia em um inquérito aberto em 2019 a partir de uma denúncia feita por sua ex-mulher durante o processo de separação. "Isso foi uma denúncia da minha ex-mulher, lá em 2019 quando eu me separei dela. Agora, Polícia Civil, é estranho você fazer isso. Depois de 6 anos vocês pedem o meu indiciamento de rachadinha. Irei me defender. Não devo nada", declarou o parlamentar.

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Devido ao foro privilegiado que Hermeto possui como deputado, o indiciamento necessitou de autorização judicial específica, que foi concedida em fevereiro de 2026. Atualmente, o processo tramita sob sigilo judicial, com a TV Globo tentando contato com os demais envolvidos sem obter respostas até o momento.

Mecanismos do esquema e movimentações financeiras

O esquema investigado envolvia o repasse compulsório de parte dos salários de servidores comissionados da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Esses funcionários, que ocupavam posições de confiança, eram obrigados a realizar os pagamentos sob ameaça de exoneração ou rebaixamento funcional. A polícia sustenta que a vítima direta do crime é o próprio Estado, já que os salários eram integralmente pagos com recursos públicos.

Um relatório detalhado do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou que o chefe de gabinete Licérgio Oliveira de Souza movimentou impressionantes R$ 1,6 milhão entre os anos de 2018 e 2023, valor considerado completamente incompatível com sua renda declarada e que levantou fortes suspeitas sobre a origem desses recursos.

Perfil e histórico de Hermeto

Hermeto, com 60 anos de idade, possui uma trajetória política marcante no Distrito Federal. Natural de Ipú, no Ceará, mudou-se para Brasília ainda na infância e construiu carreira como subtenente da Polícia Militar, atuando na corporação por aproximadamente três décadas antes de ingressar na política. Ele foi eleito deputado distrital pela primeira vez em 2018, conquistando mais de 10 mil votos, e reeleito em 2022 com expressivos mais de 20 mil votos.

Durante seu mandato, Hermeto exerceu importantes funções, incluindo a liderança do governo de Ibaneis Rocha (MDB) na Câmara Legislativa e a presidência do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa. Entre suas principais contribuições legislativas estão duas leis do DF: uma de 2021 que trata da utilização de militares da reserva da PM e do Corpo de Bombeiros nas escolas de gestão compartilhada, e outra de 2020 que estabelece controle eletrônico para acesso de alunos em instituições públicas e privadas de educação básica.

Antecedentes investigativos

Esta não é a primeira vez que o deputado Hermeto enfrenta investigações. Em 2019, uma ex-funcionária já havia acusado o parlamentar da prática de "rachadinha", e em 2023, ele foi condenado pela Justiça após fazer um comentário considerado homofóbico sobre beijo gay durante uma formatura da Polícia Militar. Esses episódios anteriores contribuem para um histórico de controvérsias que agora se intensifica com o novo indiciamento por concussão.

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