Justiça decreta prisão preventiva de mulher por tentativa de homicídio com açaí envenenado em Ribeirão Preto
A Justiça decretou prisão preventiva de Larissa de Souza Batista, acusada de tentar matar o namorado Adenilon Ferreira Parente com açaí envenenado em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. A decisão judicial foi tomada na segunda-feira (13) após o Ministério Público apresentar denúncia detalhada sobre o caso, que ocorreu em fevereiro deste ano.
Investigações confirmam premeditação e uso de veneno
Após extensas investigações da Polícia Civil, o Ministério Público concluiu que Larissa arquitetou um plano meticuloso para assassinar o companheiro utilizando chumbinho, um veneno agrícola altamente tóxico. Laudos periciais confirmaram categoricamente a presença da substância terbufós, conhecida popularmente como chumbinho, no copo de açaí consumido pela vítima.
O promotor Eliseu Berardo Gonçalves foi enfático ao afirmar: "Total responsabilidade da Larissa e mais uma vez, dizendo, isentando por completo a responsabilidade de qualquer funcionário da loja, foi a Larissa que premeditou, foi a Larissa que colocou o chumbinho, foi a Larissa que tentou matar o Adenilson".
Vítima sobreviveu mas inicialmente acreditava na inocência da namorada
Adenilson Ferreira Parente chegou a ser hospitalizado após consumir o açaí contaminado, apresentando sintomas graves como queimação intensa na garganta, tontura, sonolência e gosto de óleo de motor. Apesar da gravidade do envenenamento, ele sobreviveu e, curiosamente, durante as primeiras etapas das investigações, ainda manifestava crença na inocência da companheira.
O crime ocorreu no dia 5 de fevereiro, quando o casal retirou dois copos de açaí com morango, leite condensado e amendoim em uma loja na Avenida Barão do Bananal, zona Leste de Ribeirão Preto.
Evidências apontam para ação premeditada e destruição de provas
Imagens de câmeras de segurança foram cruciais para a investigação, mostrando Larissa manipulando os copos de açaí dentro do carro e descartando um saquinho plástico em via pública. A acusada alegou ter adicionado apenas leite condensado, mas as evidências contradizem essa versão.
Além disso, a Polícia Civil descobriu que Larissa "resetou" seu celular dias após o envenenamento, em aparente tentativa de eliminar provas digitais. Este comportamento foi considerado pela Justiça como mais um indício de tentativa de obstrução das investigações.
Prisão preventiva fundamentada em risco de fuga e gravidade do crime
A Justiça acatou o pedido do Ministério Público argumentando que Larissa responde por tentativa de homicídio qualificado, crime cuja pena pode chegar a 30 anos de prisão. O magistrado considerou que as ligações familiares da acusada em outro estado aumentam significativamente o risco de fuga, justificando assim a medida cautelar extrema.
Na denúncia formal, o MP acusa Larissa de tentativa de homicídio qualificado por meio cruel, uso de veneno e recurso que dificultou a defesa da vítima. Até o momento da publicação desta notícia, a acusada não havia sido localizada pelas autoridades para cumprimento do mandado de prisão.
Detalhes do crime revelam meticuloso planejamento
Segundo as investigações, Larissa já possuía o veneno em mãos antes do episódio, demonstrando premeditação. O promotor Berardo Gonçalves detalhou: "Ela já estava com o veneno em mãos, mas não sabemos onde ela conseguiu. Então, foi uma premeditação, quando eles voltaram do estabelecimento comercial com os dois copos de açaí, os dois com ela, nas mãos dela, ela colocou o chumbinho naquele copo com açaí que seria do Adenilson".
As câmeras de segurança registraram momentos cruciais:
- O casal chegando em casa de carro com os copos de açaí
- Larissa manipulando um dos copos dentro do veículo
- A entrega do copo contaminado ao namorado
- O retorno do casal à loja para reclamar, com Adenilson já apresentando sintomas
A defesa de Larissa não se manifestou até o fechamento desta reportagem. Durante as investigações, a acusada negou veementemente qualquer envolvimento no envenenamento, mantendo sua versão de que apenas adicionou leite condensado ao açaí.



