A Polícia Civil do Amazonas prendeu na noite de segunda-feira (27), em Manaus, o treinador de jiu-jítsu Melqui Galvão, 47, um dos mais conhecidos do país. Ele é acusado de crimes sexuais contra alunas menores de idade, incluindo estupro de vulnerável, importunação sexual, ameaça e invasão de dispositivo eletrônico.
A reportagem tentou contato com a defesa de Melqui Galvão nesta terça-feira (28) por mensagens e ligações para as escolas de jiu-jítsu que ele mantém em Jundiaí (SP) e Manaus, mas não obteve resposta até a publicação.
O pedido de prisão temporária, por 30 dias, foi expedido em 23 de janeiro pela 2ª Vara de Crimes contra Crianças e Adolescentes de São Paulo, após uma ex-aluna de 17 anos denunciar abusos durante uma viagem ao exterior para uma competição.
Investigação e outras vítimas
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que, durante a investigação da 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), a polícia identificou outras duas vítimas. Os pais das jovens apresentaram uma gravação de áudio em que o suspeito teria admitido o crime indiretamente, além de mensagens trocadas com indícios da prática criminosa.
“Diante dos fatos, a delegada solicitou a prisão temporária do suspeito, que foi deferida pela Justiça. Também foram deferidos mandados de busca e apreensão, cumpridos pela equipe da 8ª DDM. Na noite de segunda-feira, o homem se entregou à Polícia Civil do Amazonas”, afirmou a SSP em nota.
Vínculo funcional e afastamento
Melqui Galvão é servidor efetivo da Polícia Civil do Amazonas, atuando como instrutor de defesa pessoal no setor de capacitação. A corporação o afastou e a Corregedoria-Geral abriu um procedimento administrativo disciplinar. “A PC-AM adotou o afastamento cautelar do servidor, conforme previsão legal, até a conclusão das apurações, além de apurar a regularidade do vínculo funcional e eventuais incompatibilidades”, informou a Polícia Civil amazonense, reforçando que “não compactua com irregularidades ou desvios de conduta”.
Repercussão no esporte
Após a prisão, muitos praticantes e seguidores do jiu-jítsu manifestaram apoio às vítimas nas redes sociais. O gaúcho Nicholas Meregali, tricampeão mundial, comemorou a prisão em um vídeo no Instagram. Ele afirmou ter sido processado por Melqui Galvão e seu filho, Mica Galvão, outro astro do esporte, devido a declarações sobre doping e uso de esteroides, após Mica ser suspenso por doping. Meregali disse que uma testemunha foi ameaçada por Melqui e se retirou do processo.
A Confederação Brasileira de Jiu-Jítsu Esportivo (CBJJE) se pronunciou, afirmando que “não há espaço para abuso ou assédio no esporte. O professor está afastado de todas as atividades da confederação. Nos solidarizamos com as vítimas, desejando força, acolhimento e justiça. Estamos agindo com ações, formações e protocolos para garantir respeito e segurança. O tatame deve ser um espaço de confiança. O silêncio não nos representa. A ação, sim!”
Carreira de Melqui Galvão
Natural de Manaus, Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira começou a dar aulas de jiu-jítsu quando era investigador da Polícia Civil do Amazonas. Em 2011, foi destacado para um projeto social em Manaus. Posteriormente, abriu sua própria academia e treinou grandes nomes, como Thalison Soares, Fabricio Andrey, Brenda Larissa, Diogo Reis e seus filhos Mica e Sammi Galvão. Ele é o único técnico a treinar dois atletas que conquistaram o Grand Slam da Federação Internacional de Jiu-Jítsu: Diogo Reis e Mica, que se tornou o mais jovem (20 anos) a vencer a principal competição internacional.



