Policial penal recebe pena de 11 anos por corrupção em presídio de Mato Grosso
O policial penal Josiel Alves da Silva Ferreira foi condenado a 11 anos de prisão por utilizar seu cargo público para facilitar a entrada de celulares e drogas na Cadeia Pública de Tangará da Serra, localizada a 242 quilômetros de Cuiabá. A sentença, proferida pelo juiz Ricardo Frazon Menegucci, da 1ª Vara Criminal da cidade, nesta quinta-feira (9), também determinou a perda do porte de arma e do cargo público exercido pelo agente.
Operação Infiltrados e as evidências do caso
A condenação é resultado da Operação Infiltrados, realizada no ano passado, que culminou na prisão do policial. As investigações da Polícia Civil revelaram que Josiel Alves cobrava aproximadamente R$ 2,5 mil por cada aparelho celular que introduzia no sistema penitenciário. Durante o monitoramento, ele foi flagrado recebendo uma sacola de um ex-detento, contendo diversos celulares embalados, destinados ao interior do presídio.
O delegado responsável pela investigação, Igor Sasaki, enfatizou que a decisão judicial reforça a ordem pública. "É uma resposta importante para a segurança pública. Sabemos que dentro dos presídios existem lideranças de facções que ordenam crimes graves fora dos muros, como homicídios e tráfico", declarou Sasaki.
Defesa rejeitada e fundamentação da sentença
No processo, a defesa do acusado argumentou que as imagens das câmeras de segurança não comprovavam o ilícito e que a denúncia do Ministério Público do Estado (MPMT) não individualizava a conduta, defendendo a inépcia da acusação. No entanto, o juiz rejeitou essas alegações, ressaltando a coerência e credibilidade dos depoimentos e das evidências visuais.
"Assim, não se verifica qualquer prejuízo à defesa, tampouco violação aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa", afirmou o magistrado em trecho da decisão. Ele acrescentou que as declarações eram harmônicas com os demais elementos probatórios, incluindo as imagens do sistema de monitoramento e as circunstâncias da apreensão.
Repercussão e andamento processual
Até o momento, a TV Centro América não obteve retorno da defesa do acusado ou da Secretaria Estadual de Justiça (Sejus) sobre o caso. O policial penal responderá em liberdade até o trânsito em julgado da sentença, aguardando os possíveis recursos. A condenação serve como um alerta para a necessidade de combater a corrupção dentro do sistema carcerário, um desafio constante para as autoridades de segurança pública em Mato Grosso e em todo o país.



