Corregedoria da Polícia Civil investiga relação de investigador com chefe de esquema de fraudes bancárias
Polícia investiga relação de investigador com chefe de fraudes bancárias

Corregedoria da Polícia Civil investiga relação de investigador com chefe de esquema de fraudes bancárias

A Corregedoria da Polícia Civil iniciou um procedimento correcional para investigar a relação entre um investigador da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Americana, no interior de São Paulo, e Thiago Branco de Azevedo, conhecido como Ralado, apontado como o líder de um extenso esquema de fraudes bancárias. A informação foi confirmada ao portal g1 neste domingo (29), revelando mais um capítulo nas investigações que já resultaram em múltiplas prisões.

Vídeo em festa de 2020 levanta suspeitas

O ponto central da investigação é um vídeo gravado durante uma festa em 2020, onde o investigador Valdir Carvalho da Silva Filho aparece ao lado de Thiago Ralado. Nas imagens, registradas em uma transmissão ao vivo feita pelo suspeito em rede social, Valdir é filmado por Ralado e faz um sinal de joinha com as mãos. A gravação, que circulou amplamente, motivou a abertura do procedimento correcional, que visa apurar infrações disciplinares ou penais de servidores públicos.

Conduzido pela Corregedoria, o processo envolve fases como investigação, instrução, defesa e julgamento, podendo resultar em punições que variam de advertências até demissões, dependendo da gravidade das constatações. A Polícia Civil, em nota oficial, reforçou que não compactua com condutas incompatíveis com o exercício da função policial e que pune com rigor qualquer irregularidade confirmada, nos termos da legislação vigente.

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Defesa do investigador nega qualquer envolvimento

O advogado Murilo Medrado Novaes, que representa o investigador Valdir, afirmou ao g1 que seu cliente não foi notificado pela Corregedoria sobre a abertura do procedimento. Em posicionamento detalhado, a defesa apresentou os seguintes argumentos:

  • Valdir não é investigado, testemunha ou citado nos relatórios da Polícia Federal sobre a Operação Fallax, que desarticulou o esquema de fraudes.
  • O investigador nunca teve negócios com Thiago Ralado, e as imagens são de eventos sociais frequentados por diversas pessoas, incluindo empresários, figuras públicas e comandantes da polícia.
  • Thiago se apresentava como empresário e circulava socialmente nesses ambientes, o que não autoriza a construção de responsabilidade por mera associação.
  • O vídeo é de 2020, época em que Valdir não estava lotado na DISE, afastando qualquer correlação com sua atuação funcional posterior.
  • Valdir jamais teve ciência de qualquer fato ilícito relacionado ao esquema sob apuração.

A Polícia Federal de Piracicaba, uma das frentes da Operação Fallax, havia confirmado anteriormente que o investigador de Americana não aparecia em suas investigações e que não possuía informações sobre a relação entre os dois.

Esquema de fraudes bancárias movimentou milhões

Thiago Ralado, principal alvo da Operação Fallax, foi preso na manhã de sexta-feira (27) em Piracicaba (SP). Ele é apontado como responsável pela criação de empresas fictícias para aplicação das fraudes, mantendo uma vida de luxo e promovendo festas com cantores sertanejos. O esquema envolvia:

  1. Abertura de contas bancárias com empresas de fachada, utilizando nomes de laranjas e até de pessoas inexistentes.
  2. Pagamento de valores considerados ínfimos, como R$ 150 e R$ 200, para pessoas que emprestavam seus nomes.
  3. Cooptação de gerentes de banco, que recebiam comissões por participarem do esquema.
  4. Movimentação de, pelo menos, R$ 47 milhões, com fraudes que podem superar R$ 500 milhões.

O grupo também é investigado por crimes de lavagem de dinheiro e estelionato, utilizando estruturas empresariais para dissimular a origem dos recursos ilícitos e convertendo valores em bens de luxo e criptoativos para dificultar o rastreamento.

Balanço da operação e próximos passos

Até o momento, a Operação Fallax resultou em:

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  • 18 pessoas presas, incluindo Rafael de Gois, sócio-fundador e CEO do Grupo Fictor.
  • Três foragidos: Ariovaldo Alves de Assis Negreiro Junior (Osasco), Igor Gustavo Martins Avela (São Paulo) e Carlos Ramiro Rodrigues (Rio Claro).
  • Expedição de 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
  • Apreensão de computadores, documentos e aparelhos celulares relacionados.
  • Bloqueio e sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões.
  • Quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas.

Enquanto a Corregedoria da Polícia Civil avança na apuração da relação do investigador com o esquema, as investigações da Polícia Federal continuam para desarticular completamente a organização criminosa e recuperar os valores fraudados.