Polícia investiga envenenamento por chumbinho em açaí consumido por jovem em Ribeirão Preto
Polícia investiga envenenamento por chumbinho em açaí em Ribeirão Preto

Polícia busca autoria de envenenamento por chumbinho em açaí consumido por jovem em Ribeirão Preto

A Polícia Civil de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, investiga quem colocou veneno no açaí consumido por um jovem de 27 anos, que passou mal e precisou ser internado em estado grave. O laudo pericial confirmou a presença de terfubós, um dos principais princípios ativos do conhecido chumbinho, substância altamente tóxica utilizada no controle de pragas agrícolas.

Detalhes do caso e confirmação do envenenamento

O caso ocorreu no dia 5 de fevereiro, quando Adenilson Ferreira Parente consumiu o açaí e começou a apresentar sintomas graves de intoxicação. Ele foi rapidamente encaminhado para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permaneceu internado por vários dias antes de receber alta e iniciar sua recuperação. A perícia identificou pequenos pontinhos de cor cinza em quase todo o fundo do copo, confirmando a contaminação por veneno.

Embora a Polícia Civil não tenha divulgado publicamente todos os detalhes do laudo, a EPTV, afiliada da TV Globo, apurou que a substância encontrada foi especificamente o terfubós. Segundo Danilo Dorta, toxicologista da Universidade de São Paulo (USP), este composto é extremamente perigoso para seres humanos.

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"O terfubós pode causar náuseas, sudorese intensa, aumento de salivação e miose, que é quando a pupila do olho se contrai até ficar no formato de uma agulha. São os efeitos clássicos de intoxicação e, em concentrações mais elevadas, pode inclusive ser letal", explicou o especialista.

Investigação aponta suspeita sobre namorada da vítima

As investigações indicam que o envenenamento pode ter ocorrido dentro da residência do casal. A Polícia Civil informou na terça-feira (17) que está analisando essa possibilidade, tendo a então namorada de Adenilson, Larissa de Souza, como uma das principais suspeitas. Imagens de câmeras de segurança estão sendo minuciosamente examinadas pelos investigadores.

As gravações mostram o momento em que Larissa e Adenilson chegam de carro à sua casa. Ela carregava uma sacola com dois copos de açaí, tendo comprado os produtos em uma loja na Avenida Barão do Bananal, zona Leste da cidade. Nas imagens, é possível ver que ela entrega um dos copos ao namorado antes de entrarem na residência.

Curiosamente, as câmeras também registram que Adenilson deixou o copo no chão e saiu com o carro. Minutos depois, Larissa retorna, recolhe o açaí e entra novamente em casa. Adenilson volta à residência cerca de 20 minutos depois.

Declarações das autoridades e andamento do caso

O delegado José Carvalho de Araújo Júnior, responsável pela investigação, destacou a importância desses momentos capturados pelas câmeras. "Em algum momento, alguém colocou veneno no copo. Este momento nos leva a entender que ela estava manuseando este copo de alguma forma. Portanto, estamos agora investigando detalhadamente este fato", afirmou o delegado.

A possibilidade de contaminação no estabelecimento comercial foi descartada desde o início das investigações. O preparo do açaí foi filmado pelas câmeras da loja, e em nenhum momento as gravações indicaram comportamentos suspeitos por parte dos funcionários. Por volta das 20h do mesmo dia, o casal retornou à loja para reclamar da compra, fato também registrado pelas câmeras de segurança.

Larissa de Souza prestou depoimento à polícia no dia 19 de fevereiro, negando veementemente qualquer envolvimento no envenenamento. A defesa da jovem foi contatada pela EPTV, mas não se manifestou até o fechamento desta reportagem. O caso está sendo tratado oficialmente como tentativa de homicídio, com a polícia seguindo todas as linhas de investigação possíveis.

Contexto do produto contaminado e riscos à saúde

O terfubós encontrado no açaí é um inseticida organofosforado utilizado principalmente no controle de pragas de solo em plantações de diversas culturas. Sua toxicidade para humanos é amplamente reconhecida pela comunidade científica, sendo que a exposição pode levar a consequências graves e até fatais, dependendo da dose ingerida.

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Especialistas em toxicologia alertam que produtos como o chumbinho, que contêm essa substância, nunca devem ser manipulados sem equipamentos de proteção adequados e muito menos ter qualquer contato com alimentos ou bebidas destinados ao consumo humano.

A investigação continua em andamento, com a polícia coletando mais evidências e depoimentos para esclarecer completamente as circunstâncias deste grave caso de envenenamento que chocou a cidade de Ribeirão Preto e chamou a atenção para os riscos de contaminação alimentar por substâncias tóxicas.