Polícia Civil conclui que morte de menino de 4 anos em Santos foi em legítima defesa
O relatório final das investigações da Polícia Civil de São Paulo concluiu que o tiro que matou o menino Ryan da Silva Andrade Santos, de apenas quatro anos de idade, foi disparado por um policial militar em situação de legítima defesa. O caso trágico ocorreu no dia 5 de novembro de 2024, durante uma operação policial no Morro São Bento, localizado na cidade de Santos, no litoral paulista.
Detalhes do incidente e conclusões das investigações
Na ocasião dos fatos, policiais militares perseguiam dois adolescentes suspeitos de envolvimento em atividades criminosas. Durante o confronto, um dos suspeitos, identificado como Gregory Ribeiro Vasconcelos, acabou falecendo, enquanto o outro adolescente ficou ferido. Enquanto isso, Ryan brincava com outras crianças na calçada, sendo atingido por um disparo no abdômen que resultou em sua morte.
O delegado Thiago Bonametti, da Divisão Especializada de Investigações Criminais de Santos, responsável pelo relatório, afirmou que as evidências coletadas demonstraram que os agentes não tinham como prever que a criança seria atingida. Bonametti destacou que não foi possível atribuir culpa, imprudência ou negligência aos policiais militares do ponto de vista criminal, embora isso não impeça possíveis responsabilizações na esfera cível.
Evidências técnicas e análise pericial
O laudo da Polícia Técnico-Científica de São Paulo confirmou que o tiro partiu da arma do cabo da Polícia Militar Clovis Damasceno de Carvalho Junior. As investigações revelaram que o menino foi atingido a uma distância considerável do local do confronto entre os policiais e os suspeitos.
De acordo com o relatório final, o projétil que atingiu Ryan apresentava uma deformidade conhecida como abaulamento e chegou com energia final reduzida. Essa constatação levou à conclusão de que a hipótese mais provável é que a criança tenha sido atingida após o projétil ricochetear próximo ao local do confronto, tornando a morte imprevisível para os militares que atuavam em legítima defesa.
Contexto do confronto e elementos investigativos
A Polícia Civil destacou em seu relatório final que o exame pericial do local confirmou a ocorrência de um confronto entre os policiais e os dois adolescentes. Diversos elementos contribuíram para dar credibilidade à versão apresentada pelos PMs, incluindo:
- Armas de fogo encontradas ao lado dos suspeitos
- Exame de comparação balística que indicou disparos provenientes de armas que não pertenciam aos policiais
- Análise de vídeos publicados nas redes sociais pelo adolescente que faleceu, nos quais Gregory aparece portando arma de fogo e, segundo a polícia, provocando a atuação policial
- Confissão do suspeito sobrevivente, que admitiu atuar no tráfico de drogas junto com o comparsa morto, abastecendo pontos de venda de entorpecentes
O relatório final foi encaminhado para análise do Ministério Público de São Paulo na segunda-feira, dia 2 de dezembro de 2024, cabendo agora à instituição decidir sobre os próximos passos processuais.



