Polícia apreende 250 kg de mel irregular em Campo Grande após denúncia anônima
Polícia apreende 250 kg de mel irregular em Campo Grande

Operação conjunta apreende 250 kg de mel sem procedência em Campo Grande

A Polícia Civil, em ação conjunta com fiscais da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), realizou na quarta-feira (11) a apreensão de aproximadamente 250 quilos de mel sem procedência na capital sul-mato-grossense. A operação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo (Decon) após uma denúncia anônima que alertava sobre a venda irregular do produto.

Denúncia leva à abordagem e apreensão detalhada

Segundo informações repassadas às autoridades, um homem de 42 anos estaria comercializando mel sem o registro obrigatório no Serviço de Inspeção Municipal (SIM). A denúncia indicava que o produto estava sendo transportado em uma camionete branca que teria partido da cidade de Rio Verde de Mato Grosso com destino a Campo Grande. Os fiscais da Iagro, ao localizarem o veículo próximo à Avenida Nosso Senhor do Bonfim, solicitaram o apoio imediato da Decon para proceder com a abordagem.

Durante a vistoria minuciosa, os agentes encontraram diversos recipientes contendo substância semelhante a mel, todos completamente desprovidos de rótulo ou qualquer identificação de origem. O material apreendido incluía:

  • 46 garrafas de vidro de 1,8 kg cada, totalizando 82,8 kg;
  • 9 bisnagas de 500 g, somando 4,5 kg;
  • 27 bisnagas de 270 g, equivalentes a 7,29 kg;
  • 13 potes de vidro de 1,4 kg, acumulando 18,2 kg;
  • 21 potes de vidro de 600 g, com 12,6 kg no total;
  • 7 tonéis plásticos de 50 litros, vazios, mas com resíduos do produto e evidentes sinais de sujeira.

Toda a carga foi apreendida, e a camionete também foi recolhida, pois, conforme a polícia, estava sendo utilizada para o transporte e comercialização do produto de forma irregular.

Enquadramento legal e penalidades aplicadas

De acordo com as investigações preliminares, o caso se enquadra, em tese, como crime contra as relações de consumo, previsto no artigo 7º da Lei nº 8.137/1990. Esta legislação trata especificamente da venda de produtos que não atendem às normas legais de embalagem, peso, especificação ou composição. A pena para esse tipo de infração pode variar de 2 a 5 anos de detenção, além da aplicação de multa.

O suspeito, além das possíveis consequências criminais, já foi multado pela Iagro em 1.000 Uferms, valor que corresponde a aproximadamente R$ 54 mil. Esta penalidade administrativa reforça a gravidade da irregularidade cometida.

Conexão com caso anterior de mel fraudado

Conforme apurações realizadas, o homem detido é ex-genro de um suspeito que foi preso em julho de 2024, também em Campo Grande, por fabricar e vender mel adulterado com potencial cancerígeno. Naquela ocasião, uma fiscalização na BR-163 resultou na apreensão de 126 frascos com produto semelhante a mel sem identificação legal e 334 rótulos falsos.

O indivíduo preso anteriormente, de 56 anos, confessou que produzia o suposto mel há cerca de duas décadas, utilizando uma mistura de açúcar, água, saborizante e ácido cítrico. Segundo relatos policiais, cada litro era vendido por cerca de R$ 20, enquanto o custo de produção ficava em torno de apenas R$ 3, evidenciando o lucro obtido com a fraude.

Riscos à saúde pública identificados

Um relatório técnico da Iagro, elaborado durante a investigação do caso anterior, apontou que o produto era fraudado e totalmente impróprio para consumo humano. A análise laboratorial detectou níveis extremamente elevados de hidroximetilfurfural (HMF), uma substância que pode se formar quando o mel é aquecido de maneira inadequada.

No material apreendido na época, foi constatada uma concentração de 430 mg de HMF, enquanto o limite considerado seguro pela legislação é de até 60 mg. Os técnicos explicam que valores tão altos indicam que o produto pode ter sido aquecido excessivamente para facilitar a mistura de outras substâncias, o que representa sérios riscos à saúde. Entre os possíveis danos estão lesões ao fígado, rins e sistema nervoso, além do potencial cancerígeno associado à substância.

Esta apreensão recente reforça a necessidade de vigilância constante por parte dos órgãos de fiscalização para proteger os consumidores de produtos que podem colocar em risco sua saúde e segurança.