Dois anos depois da enchente que transformou cidades inteiras no Rio Grande do Sul, a paisagem ao longo do caminho percorrido pela água começa a exibir sinais de recuperação, embora ainda marcada por cicatrizes e canteiros de obras. A reportagem da RBS TV percorreu municípios da Serra, do Vale do Taquari e da Região Metropolitana para mostrar o que foi reconstruído, o que ainda está em andamento e como as cidades tentam se preparar para novas cheias. O trajeto seguiu o mesmo percurso feito pela água durante a cheia e ajuda a compreender como a geografia conectou os impactos entre diferentes localidades. A tragédia afetou 478 municípios e deixou 185 mortos.
Santa Tereza: reconstrução e contenção
Em Santa Tereza, na Serra, a primeira impressão é de normalidade. A cidade parece organizada e visualmente recuperada, mas o rio continua ali, ao lado, lembrando que foi por ele que a água avançou em direção a municípios como Muçum e Roca Sales. Um dos símbolos daquele período extremo está na ponte sobre o Arroio Marrecão. Ela foi reconstruída após ter sido levada pela força da correnteza, episódio que ficou marcado por ter ocorrido no exato momento em que a prefeita gravava um vídeo. Segundo a Secretaria da Fazenda do município, cerca de R$ 4 milhões foram investidos na obra, que agora conta com duas vias, diferente da estrutura anterior. Ainda em Santa Tereza, outra intervenção chama atenção: uma contenção feita com grandes pedras na área da Praça do Porto. A estrutura foi pensada para reduzir os danos em caso de uma nova elevação do nível do rio, numa tentativa de minimizar os impactos de futuras cheias.
Muçum: avanço na reconstrução
Mais adiante, a chegada a Muçum, cidade da Região dos Vales, revela um cenário diferente. Em bairros que foram severamente atingidos, o trabalho segue intenso. Caminhões circulam para retirar escombros e o que se vê agora é uma etapa mais avançada da reconstrução, com demolições de estruturas comprometidas. Apesar disso, a cidade apresenta sinais claros de retomada. Edificações foram restauradas, o comércio começa a se reorganizar e a vida urbana reaparece, ainda que de forma gradual. Um contraste com a sensação, no auge da tragédia, de que seria impossível reerguer o município.
Cruzeiro do Sul: preparação e moradias
Em seguida, o percurso chega a Cruzeiro do Sul, uma das cidades mais afetadas pelas cheias de maio de 2024. A prefeitura informa que reforçou a equipe da Defesa Civil com servidores concursados e instalou uma câmera no alto de um morro para acompanhar, em tempo real, a variação dos níveis dos rios. O município também afirma ter ampliado a comunicação com prefeituras vizinhas, defesas civis da Serra e do Vale do Taquari e com hidrelétricas, já que a água que passa por essas regiões acaba chegando à cidade. Os canteiros de obras se multiplicam. Em uma das áreas visitadas, está em construção um conjunto que deve receber cerca de 500 casas destinadas a famílias atingidas pelas cheias. Só em Cruzeiro do Sul, aproximadamente 1,5 mil residências foram impactadas, e os moradores já deixaram, ou deveriam ter deixado, essas áreas.



