Cabo da PM que executou casal de mulheres já responde a outros processos por homicídios
PM que matou mulheres já responde a outros processos por homicídios

Cabo da PM que executou casal de mulheres já responde a outros processos por homicídios

Um novo vídeo de câmera de segurança revela contradições graves entre a versão oficial da Polícia Militar e os fatos ocorridos durante a execução de um casal de mulheres em Cariacica, na Grande Vitória, Espírito Santo. O cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale, flagrado atirando à queima-roupa contra Daniele Toneto, 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, 31 anos, no dia 8 de abril, já responde a outros processos por homicídios, incluindo a morte de uma mulher trans em 2022.

Contradições entre boletim e imagens

O boletim de ocorrência registrado por policiais militares afirma que uma das vítimas avançou em direção à arma do cabo, motivando os disparos. No entanto, as imagens mostram uma discussão de apenas cinco segundos antes dos tiros, sem evidência clara de tentativa de tomar a arma. O vídeo exibe o policial atirando a curta distância, perseguindo uma das mulheres que tentou fugir, enquanto outros seis agentes presentes não intervieram.

Além disso, o registro oficial omite detalhes sobre a atuação dos demais militares e o socorro às vítimas. Nas imagens, mais de um minuto se passa após os disparos sem que nenhum agente se aproxime das mulheres feridas, contrariando a informação de que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado prontamente.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Contexto do crime e histórico do cabo

O crime ocorreu após a ex-mulher do cabo ligar para ele durante seu horário de serviço, relatando uma discussão com as vizinhas sobre um possível furto de energia e envolvendo seu filho. Testemunhas indicam que o desentendimento começou por causa de um ar-condicionado, escalando para ameaças horas antes da execução.

O cabo Luiz Gustavo estava afastado das atividades nas ruas desde 2022, devido à morte de uma mulher trans conhecida como Lara Croft, em uma abordagem em Cariacica. Atualmente, ele cumpria funções administrativas em Itacibá, sem autorização para sair do trabalho. A Polícia Militar do Espírito Santo abriu um processo demissionário contra ele, com prazo de 20 dias para conclusão do inquérito militar.

Repercussão e afastamento de colegas

Os seis policiais que presenciaram o crime foram afastados das ruas e tiveram o armamento suspenso, aguardando decisão judicial sobre afastamento completo com perda de salário. A Associação das Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (ASPRA-ES) criticou a medida, argumentando que os agentes não tinham conhecimento prévio ou condições de intervir, e que o afastamento parece ser uma resposta à imprensa e sociedade.

O comandante-geral da PM, coronel Ríodo Lopes Rubim, afirmou que o cabo feriu a honra da instituição, reforçando o compromisso de proteger e servir. O cabo está preso no Quartel da PM em Vitória, e sua defesa não foi localizada para comentários.

Este caso levanta sérias questões sobre conduta policial, transparência em investigações e a necessidade de revisão de protocolos de segurança pública no estado.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar