PM e mais cinco são indiciados por desaparecimento da família Aguiar em Cachoeirinha
PM e mais cinco indiciados por desaparecimento da família Aguiar

PM e mais cinco pessoas são indiciadas pela Polícia Civil no caso do desaparecimento da família Aguiar

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul indiciou o policial militar Cristiano Domingues Francisco e outras cinco pessoas pelos crimes relacionados ao desaparecimento de três membros da família Aguiar, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O caso, que chocou a comunidade local, envolve acusações graves, incluindo feminicídio, homicídios triplamente qualificados e ocultação de cadáver.

Brigada Militar instaura processo administrativo

Em paralelo às investigações da Polícia Civil, a Brigada Militar (BM) anunciou que vai instaurar um processo administrativo para apurar a responsabilidade do PM Cristiano Domingues Francisco. A informação foi confirmada pelo Corregedor-Geral da BM, coronel Rodrigo Assis Brasil Ramos Aro, que destacou que o Conselho de Disciplina será formado assim que a corporação tiver acesso à íntegra do inquérito policial.

"O Conselho de Disciplina a apurar a responsabilidade administrativa do policial militar investigado será instaurado tão logo tenhamos o acesso à íntegra do inquérito policial", afirmou Aro. Se comprovadas irregularidades, o PM pode enfrentar penalidades severas, incluindo a exclusão da Corporação.

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Detalhes do crime e uso de inteligência artificial

As investigações revelaram que Cristiano, que atuava no patrulhamento em Canoas e ingressou na Brigada Militar em outubro de 2009, é o principal suspeito do crime. Ele está preso desde 10 de fevereiro no Batalhão de Operações Especiais (BOE), em Porto Alegre.

De acordo com os delegados, o PM teria utilizado inteligência artificial para simular a voz de Silvana de Aguiar, de 48 anos, a fim de atrair seu pai, Isail, de 69 anos, para a casa dela. Isail e sua esposa, Dalmira Germann de Aguiar, de 70 anos, não são vistos desde 25 de janeiro, um dia após o desaparecimento de Silvana.

"Foi um crime tão bem planejado. Percebemos que essa montagem teatral para a atração dos idosos, ele já foi criado no dia 21, dias antes do fato", explicou o delegado Diego Traesel. A polícia acredita que Silvana foi morta em sua casa na noite de 24 de janeiro, com evidências de câmeras de monitoramento mostrando movimentações suspeitas de veículos.

Outros indiciamentos e motivações do crime

Além de Cristiano, outras cinco pessoas foram indiciadas, incluindo sua atual esposa, seu irmão, sua mãe, sua sogra e um amigo. Eles são acusados de crimes como fraude processual, ocultação de cadáver, furto qualificado e associação criminosa.

O delegado Anderson Spier, responsável pelo caso, afirmou que a motivação do crime estaria ligada a uma disputa pela criação do filho do PM com Silvana, além de questões financeiras relacionadas ao patrimônio da família Aguiar. "Não encontramos subsídios de que os demais envolvidos tenham participado antes dos crimes. A materialidade da conduta deles foi no sentido de tentar isentar o Cristiano", disse Spier.

Inquérito extenso e provas coletadas

O inquérito policial, que conta com 20 mil páginas, inclui depoimentos, diligências, relatórios, extrações e quebras de sigilo, resultando em mais de 10TB de documentos. Foram apreendidos 16 celulares, 17 nuvens de documentos, cinco DVRs, 13 pendrives, cinco computadores e quatro HDs.

A perícia confirmou recentemente que o sangue encontrado na residência de Silvana pertencia a ela e ao pai, reforçando as evidências contra os acusados. "Eu sei que se criou esse mito de que sem a presença dos corpos não há materialidade, mas, na verdade, a gente já tem um vasto conteúdo que aponta no sentido de que a materialidade pode ser provada de forma indireta", destacou Spier.

Posicionamento das defesas

A defesa de Cristiano Domingues Francisco aguarda o acesso integral ao inquérito para se posicionar de forma mais assertiva. Já a defesa de Wagner Domingues Francisco, irmão do PM, manifestou-se publicamente, afirmando que as acusações são meras hipóteses investigativas e que seu cliente está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

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O caso continua sob investigação, com a expectativa de que os processos judiciais e administrativos tragam esclarecimentos sobre o destino da família Aguiar e a responsabilidade dos envolvidos.