Piloto preso no DF após briga por chiclete que deixou adolescente em coma há uma semana
Piloto preso no DF após briga por chiclete que deixou jovem em coma

Piloto é preso no DF após briga banal por chiclete deixar adolescente em coma

O piloto e empresário Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, foi preso preventivamente nesta sexta-feira (30) pela Polícia Civil do Distrito Federal, com apoio do Ministério Público local. A prisão ocorre após uma semana do grave incidente em Vicente Pires, onde uma discussão iniciada por um chiclete mascado resultou em agressões violentas que deixaram um adolescente de 16 anos em estado de coma profundo.

Detalhes da prisão e investigação

O delegado Pablo Aguiar, da 38ª DP de Vicente Pires, confirmou a prisão ao g1. A medida foi autorizada pela Justiça e classificada como preventiva, sem prazo determinado para duração. Durante a ação policial, foi cumprido também mandado de busca e apreensão na residência do piloto, onde foram encontrados e apreendidos diversos objetos, incluindo:

  • Facas
  • Soco inglês
  • Outros itens que seriam utilizados para amedrontar vítimas

Pedro Turra estava na casa da mãe no momento da prisão. Este é o segundo encarceramento do jovem no caso – anteriormente, ele havia sido preso e liberado após pagar fiança de R$ 24,3 mil, valor que gerou críticas da família da vítima.

Estado grave da vítima e impacto familiar

O adolescente agredido, identificado como Rodrigo, encontra-se hospitalizado há sete dias, submetido a uma cirurgia craniana de emergência. Segundo relatos familiares, ele permanece no nível mais profundo de coma, sem expectativa imediata de melhora.

O tio da vítima, Flavio Henrique Torminn Fleury, fisioterapeuta, descreveu em entrevista coletiva o profundo impacto da situação: "A vida de toda a família parou. Minha irmã e meu cunhado não sabem mais o que é dormir, não sabem mais o que é casa. É um menino muito vaidoso, atleta, apaixonado por futebol. Imaginar quando ele acordar e se olhar no espelho... isso dói muito".

Fleury criticou veementemente a soltura anterior do agressor, classificando-a como "clara injustiça", especialmente considerando a diferença física entre os envolvidos: um adolescente de 16 anos contra um homem de 19 anos, com notável vantagem em tamanho e força.

Histórico de violência e consequências profissionais

A investigação revela que Pedro Turra já responde por quatro denúncias distintas, incluindo:

  1. Agressão ao adolescente de 16 anos em Vicente Pires
  2. Briga em praça de Águas Claras em junho de 2025
  3. Denúncia de forçar menor de idade a ingerir bebida alcoólica
  4. Agressão contra homem de 49 anos em discussão de trânsito

Duas dessas denúncias só foram formalizadas após a repercussão do caso recente. A polícia caracteriza Turra como tendo perfil violento, padrão que se repetiria em diferentes situações.

Profissionalmente, o piloto sofreu consequências imediatas: foi desligado do quadro de pilotos da temporada 2026 da Fórmula Delta, na categoria escola, perdendo sua posição no automobilismo.

Questões jurídicas e decisões judiciais

O caso apresenta complexidades processuais. Na quinta-feira (29), a Justiça do Distrito Federal havia negado pedido da defesa da vítima pela prisão preventiva de Turra. O juiz Wagno Antonio de Souza, da 2ª Vara Criminal de Taguatinga, fundamentou a decisão em questão técnica: durante a fase investigativa, a defesa da vítima não teria legitimidade para requerer medidas cautelares, direito que só surgiria após o recebimento da denúncia.

Na mesma decisão, foi negado também pedido da defesa do acusado para que o processo tramitasse em sigilo. A defesa de Pedro Turra informou que não se pronunciará sobre os casos em investigação.

Gravidade das lesões e perspectiva legal

O advogado da família da vítima, Albert Halex, defende que o caso deve ser enquadrado como tentativa de homicídio. Segundo sua argumentação: "Basta observar o comportamento pregresso do autor, de praticar luta marcial e sempre bater na cabeça das pessoas – sabendo que com isso pode ocasionar traumatismo craniano, matar pessoas. Se você oferecer a cabeça de alguém contra um objeto rígido, um carro, você assume o risco de matar".

Os detalhes do incidente são particularmente chocantes: após receber uma série de golpes, o adolescente bateu a cabeça contra um veículo, necessitando de intervenção cirúrgica imediata. Relatos médicos indicam que ele sofreu parada cardíaca de 12 minutos durante o atendimento, agravando ainda mais seu estado crítico.

O caso continua sob investigação da Polícia Civil do Distrito Federal, com expectativa de que novas medidas judiciais sejam tomadas conforme avançam as apurações sobre o histórico de violência atribuído ao jovem piloto.