Justiça do DF mantém prisão em cela individual para piloto acusado de agredir adolescente
A Justiça do Distrito Federal decidiu nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, manter a garantia de cela individual para o piloto e empresário Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos. Com a decisão do desembargador Diaulas Ribeiro, da 2ª Turma Criminal, Turra continuará preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, mas isolado dos demais detentos.
Detenção preventiva e ameaças relatadas
Pedro Turra cumpre prisão preventiva no Centro de Detenção Provisória desde segunda-feira, 2 de fevereiro. Ele é investigado por deixar um adolescente de 16 anos em coma após uma sequência de socos durante uma briga no dia 23 de janeiro. No domingo, 1º de fevereiro, ele foi transferido para uma cela individual após relatar ameaças feitas por policiais e por outros presos.
Em seu despacho, o desembargador Diaulas Ribeiro afirmou: "Asseguro a cela individual até que haja alteração da base fática e/ou jurídica e pedido do Ministério Público". A direção da Papuda também defendeu que Turra seja mantido em cela individual até segunda ordem.
Histórico do caso e agressão grave
A confusão que resultou na grave agressão ao adolescente começou por conta de uma brincadeira em que Pedro jogou um chiclete mascado na direção de outra pessoa. Após a briga, o adolescente foi socorrido pelo pai de um amigo e ainda no carro ligou para o próprio pai.
O jovem foi levado a um hospital particular de Águas Claras, onde os médicos identificaram uma hemorragia entre o crânio e a dura-máter. Para conter o edema cerebral, foi necessário retirar parte do osso do crânio. Segundo relato do pai do adolescente em entrevista exclusiva à TV Globo, o jovem chegou a morrer e foi ressuscitado após 12 minutos pela equipe médica.
"Eu vou ficar aqui até ele sair daqui comigo em pé, andando, conversando comigo. Essa é a minha expectativa, de sair com ele daqui bem, sem sequelas, pra contar a história", disse o pai, que pediu para ter sua identidade preservada por medo de retaliações.
Quatro investigações em andamento
Além do caso mais recente, Pedro Turra já é investigado por outras três denúncias que vieram à tona após a repercussão da briga. As investigações da Polícia Civil incluem:
- A agressão contra o adolescente de 16 anos
- Uma briga em uma praça de Águas Claras em junho de 2025
- Denúncia de uma jovem que afirma ter sido forçada a ingerir bebida alcoólica quando era menor de idade
- Agressão contra um homem de 49 anos em uma briga de trânsito
Controvérsia sobre a cela individual
O desembargador Ribeiro reforçou que Pedro Turra não tem direito a prisão especial e não está em uma cela especial. "O seu direito, sob encarceramento, é o de ter incólume sua integridade física. Por enquanto, mantenho a prisão em cela individual, sujeitando-o, contudo, às mesmas condições dos demais presos", afirmou o magistrado.
No entanto, a defesa do adolescente agredido lamentou a decisão da transferência para a cela especial. Em nota, os advogados afirmaram que a medida "reforça a sensação de privilégio e tratamento diferenciado, algo que, infelizmente, vem sendo observado desde o início do caso".
Consequências profissionais e judiciais
Pedro Turra chegou a ser preso inicialmente, mas foi solto após pagar fiança de R$ 24,3 mil. Como consequência profissional, ele foi desligado do quadro de pilotos da temporada 2026 da Fórmula Delta, na categoria escola. Voltou a ser preso preventivamente na sexta-feira, 30 de janeiro, por ordem da Justiça.
O adolescente agredido segue internado em estado gravíssimo, em coma induzido, sedado, entubado e sob monitoramento constante, sem previsão de alta médica. A família mantém esperança na recuperação completa do jovem, enquanto as investigações sobre os múltiplos casos envolvendo Pedro Turra continuam em andamento.



