Polícia Federal prende policial civil e mais cinco suspeitos em operação contra desvio de drogas no ES
PF prende policial civil e cinco suspeitos em operação no ES

Polícia Federal prende policial civil e mais cinco suspeitos em operação contra desvio de drogas no ES

Um policial civil do Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc) do Espírito Santo, investigado por supostamente colaborar com traficantes, e outros cinco suspeitos foram presos nesta quarta-feira (18), durante a segunda fase da Operação Turquia II, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura o envolvimento de servidores públicos em um esquema de desvio e revenda de drogas apreendidas em Vitória, com a operação ocorrendo no Espírito Santo e em outros 14 estados, totalizando 112 mandados de prisão previstos.

Segundo policial do Denarc preso em menos de quatro meses

Este é o segundo policial do Denarc preso em menos de quatro meses por relação com traficantes. Na primeira fase da operação, em novembro de 2025, um policial civil foi detido e outros dois foram afastados das funções, incluindo o policial preso nesta quarta-feira. Os três atuavam no Departamento Especializado de Narcóticos, e suas identidades não foram divulgadas pelas autoridades.

De acordo com a Polícia Federal, parte das drogas apreendidas não era registrada em boletins de ocorrência e acabava desviada para intermediários da organização criminosa, evidenciando uma cooperação ilícita durante ações policiais.

Operação Força Integrada mobiliza 15 estados

A ação no Espírito Santo integra a Operação Força Integrada, que mobiliza as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs) em 15 estados. Ao todo, foram cumpridos 112 mandados de prisão e 180 de busca e apreensão em todo o país, no combate ao tráfico de drogas e armas, além de outros crimes relacionados.

No Espírito Santo, especificamente, foram cumpridos quatro mandados de prisão temporária. Durante as diligências, houve ainda uma prisão em flagrante, após a apreensão de porções de cocaína e haxixe, além de materiais ligados ao tráfico. Também foi executada uma medida de afastamento de função pública e três mandados de busca e apreensão.

Investigações começaram após prisão de traficantes em 2024

As investigações tiveram início após a prisão em flagrante de um dos principais chefes do tráfico de drogas da região da Ilha do Príncipe, na capital capixaba, em fevereiro de 2024. Com o avanço das apurações, foram identificados indícios de ligação entre o investigado e servidores públicos, apontando para uma possível cooperação ilícita durante operações policiais.

Na primeira fase da operação, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, dois de prisão temporária e três medidas cautelares de afastamento de policiais civis. Com a continuidade das investigações, novos elementos indicaram o possível envolvimento de outro policial civil do mesmo setor, além de lideranças do tráfico que atuariam em conjunto com os servidores.

Envolvimento da Polícia Civil e medidas disciplinares

No Espírito Santo, a operação contou com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado e da Corregedoria da Polícia Civil. A Polícia Civil informou, por meio da Corregedoria Geral da Polícia Civil (CGPC), que participou das ações deflagradas nesta quarta-feira, prestando apoio à Polícia Federal e ao Ministério Público do Espírito Santo.

O servidor preso nesta quarta-feira já se encontrava afastado desde a primeira fase da operação e foi encaminhado ao presídio de policiais civis (Alfa 10). Além disso, foi cumprida medida cautelar de afastamento de função pública em relação a outro servidor, que não figurava entre os investigados na fase anterior. Dois servidores já se encontravam afastados anteriormente a esta etapa da operação.

A Corregedoria Geral da Polícia Civil destacou que as apurações disciplinares já estão em andamento desde a primeira fase da operação. Com a deflagração desta nova etapa, eventuais novos elementos de prova serão incorporados aos procedimentos administrativos já instaurados, podendo haver a inclusão de novo servidor no rol de investigados. As investigações criminais seguem sob responsabilidade do Gaeco e da Polícia Federal.