Operação da PF desmantela esquema de R$ 1,6 bi e prende MC Ryan SP e Poze do Rodo
PF prende MC Ryan SP e Poze em operação contra lavagem de R$ 1,6 bi

Operação da Polícia Federal desmantela esquema bilionário de lavagem de dinheiro

A Polícia Federal deflagrou uma operação de grande porte que resultou na prisão dos cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de outros envolvidos em um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 1,6 bilhão. A ação, batizada de Operação Narco Fluxo, é um desdobramento da Operação Narco Bet, iniciada no ano passado, e investiga transações ilegais vinculadas a apostas não regulamentadas, rifas digitais clandestinas e tráfico internacional de drogas.

Detalhes das prisões e reativação de perfil

MC Ryan SP foi preso na última quarta-feira (15) e permanece detido na carceragem da Superintendência da PF em São Paulo. Seu perfil no Instagram, que havia sido retirado do ar após a prisão, foi reativado no sábado (18), gerando curiosidade entre os seguidores. O advogado do artista, Felipe Cassimiro, afirmou que a defesa é contrária à prisão temporária, mas ainda não conseguiu reverter a decisão judicial. Já o perfil do influenciador Chrys Dias, também preso na operação, permanecia fora do ar até o mesmo sábado.

Mecanismos do esquema criminoso

De acordo com o delegado Marcelo Maceira, o esquema funcionava através de uma rede estruturada que incluía:

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  • Captação de recursos: Valores eram arrecadados por meio de plataformas de apostas ilegais e rifas digitais, envolvendo milhares de pessoas.
  • Pulverização inicial: O dinheiro era distribuído em diversas contas bancárias para dificultar o rastreamento.
  • Rede de operadores: Uma equipe com funções definidas centralizava e redistribuía os valores, usando processadoras de pagamento e técnicas como smurfing (fracionamento de transferências).
  • Ocultação da origem: O grupo utilizava criptomoedas, contas de terceiros (laranjas) e transferências de bens para familiares para esconder a procedência ilícita.

Papel dos influenciadores e empresas

Um aspecto central do esquema era o recrutamento de influenciadores e páginas de grande alcance nas redes sociais, como a Choquei, para divulgar plataformas de apostas e rifas. Essas figuras públicas, conhecidas por ostentar estilos de vida luxuosos com carros esportivos e bens de alto valor, ajudavam a legitimar as operações e atrair novos recursos. O dinheiro ilícito era então injetado em empresas do setor artístico e de entretenimento, financiando cachês de shows e despesas de carreira, para dar aparência legal aos valores.

Patrimônio acumulado e apreensões

Os investigados acumularam patrimônios milionários através da compra de imóveis, veículos de luxo, joias e outros bens, que eram exibidos nas redes sociais. Na operação, a PF apreendeu:

  1. Veículos de alto valor
  2. Valores em espécie
  3. Documentos e equipamentos eletrônicos
  4. Armas e um colar com imagem do narcotraficante Pablo Escobar

Foram cumpridos 33 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em vários estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal.

Posicionamento das defesas

A defesa de MC Ryan SP destacou que não teve acesso aos autos do processo, que tramitam sob sigilo, mas afirmou a integridade do artista e a origem comprovada de todos os valores em suas contas, com recolhimento regular de tributos. Já a defesa de MC Poze do Rodo, cujo nome real é Marlon Brandon, disse desconhecer os detalhes do mandado de prisão e que se manifestará na Justiça para restabelecer a liberdade do cliente. As investigações continuam, e os envolvidos podem responder por crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

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