PF investiga senador Ciro Nogueira por suposto recebimento de propina em troca de emendas
PF investiga Ciro Nogueira por propina em troca de emendas

Investigação da Polícia Federal revela suposto esquema de propina envolvendo senador

A Polícia Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero, investiga o senador Ciro Nogueira (PP) por suposto recebimento de pagamentos mensais recorrentes em troca da apresentação de emendas parlamentares redigidas pelo próprio banco beneficiado. A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão de empresas e o monitoramento de envolvidos.

Diálogos interceptados revelam detalhes do esquema

As provas surgiram a partir de diálogos interceptados entre Daniel Vorcaro e seu operador financeiro, Felipe Vorcaro. As mensagens detalham o funcionamento da chamada "parceria BRGD/CNLF", na qual a empresa BRGD S.A., da família Vorcaro, enviava recursos para a CNLF Empreendimentos, veículo patrimonial do senador. Em janeiro de 2025, Felipe Vorcaro relatou dificuldades em manter o fluxo devido ao "aumento dos pagamentos" ao "parceiro brgd". Em junho de 2025, Daniel Vorcaro cobrou o operador pelo atraso de dois meses nos repasses a "ciro". Felipe questionou: "Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?", evidenciando que o valor mensal do repasse havia aumentado.

Contrapartida: instrumentalização do mandato parlamentar

A contrapartida para os pagamentos milionários era a instrumentalização do mandato parlamentar. O caso envolve a emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, apresentada por Ciro Nogueira em agosto de 2024. A proposta visava elevar o limite de garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. A investigação revelou que o texto da emenda foi elaborado pela própria assessoria do Banco Master e entregue em um envelope na residência do senador. Após a apresentação, Daniel Vorcaro vangloriou-se de que a proposta "saiu exatamente como mandei", enquanto interlocutores do banco previam que a medida "sextuplicaria" os negócios da instituição.

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Outros projetos de lei também teriam sido influenciados

Outros projetos de lei, como o PATEN e o SBCE, também teriam tido minutas revisadas e entregues ao gabinete do senador por ordens do banqueiro. Além dos repasses mensais, Ciro Nogueira teria recebido vantagens por meio de operações societárias fraudulentas. A empresa CNLF, administrada formalmente pelo irmão do senador, Raimundo Neto, adquiriu 30% da Green Investimentos S.A. pelo valor de R$ 1 milhão.

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