Professora doutora da Unicamp é presa por furto de material biológico em laboratório de virologia
Soledad Palameta Miller, professora doutora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi presa em flagrante pela Polícia Federal na tarde desta segunda-feira, 23 de setembro, sob suspeita de furtar material biológico de um laboratório de virologia da instituição. A pesquisadora, de 36 anos e natural da Argentina, atua na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp e foi levada à Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu, em São Paulo, onde passará por audiência de custódia nesta terça-feira, 24 de setembro.
Crimes imputados e defesa da pesquisadora
De acordo com a Polícia Federal, Soledad Palameta Miller pode responder por furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado. O material biológico furtado foi recuperado e encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise. O advogado de defesa da pesquisadora, Pedro de Mattos Russo, afirmou que não há materialidade de furto, argumentando que Miller utilizava o laboratório do Instituto de Biologia por falta de estrutura própria. A defesa está trabalhando para tentar restabelecer a liberdade da professora.
Laboratórios interditados e níveis de biossegurança
Todos os laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos foram interditados temporariamente na manhã de segunda-feira devido ao crime, mas a desinterdição ocorreu no início da tarde. O laboratório onde ocorreu o furto opera com níveis 2 e 3 de biossegurança (NB-2 e NB-3). O nível 3 envolve alto risco para o indivíduo e risco moderado para a comunidade, incluindo agentes que podem causar doenças graves ou letais, como o vírus da imunodeficiência humana (HIV). A Unicamp comunicou o desaparecimento das amostras, o que levou à abertura do inquérito policial.
Trajetória profissional e sigilo das investigações
Soledad Palameta Miller coordena o Laboratório de Virologia e Biotecnologia em Alimentos, com linhas de pesquisa voltadas para vigilância epidemiológica e desenvolvimento de diagnósticos e terapias relacionadas a vírus transmitidos por alimentos e água. Ela já atuou como analista no Laboratório Nacional de Biociências do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e realizou pós-doutorado no Laboratório de Virologia da Unicamp. Órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Polícia Federal, o Ministério da Agricultura e a Unicamp mantêm sob sigilo as informações sobre o material biológico furtado, afirmando que a apuração está sob responsabilidade da PF.
Possíveis penas e reação institucional
Segundo documento da Justiça Federal, Miller é suspeita de expor a vida ou saúde de outrem a perigo direto e iminente, furto qualificado, fraude processual e produção ou transporte irregular de organismos geneticamente modificados. As penas variam de detenção de três meses a reclusão de até oito anos, além de multas. A reitoria da Unicamp emitiu nota destacando a gravidade do fato e a natureza do patrimônio científico envolvido, informando que acionou prontamente a Polícia Federal e a Anvisa para conduzir as investigações. As aulas na graduação e nos laboratórios de ensino foram mantidas normalmente.



