Ex-piloto se torna réu por homicídio após agressão fatal a adolescente
A defesa do ex-piloto Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, anunciou nesta quarta-feira (25) que deixou o caso, duas semanas após a Justiça do Distrito Federal aceitar a denúncia por homicídio e torná-lo réu pela morte de Rodrigo Castanheira, de 16 anos. Questionado sobre se a decisão partiu da família do acusado ou dos advogados, o escritório Fior, Corrêa, Mendes & Kaefer disse não poder responder "por limites contratuais".
Juiz destaca 'padrão de comportamento violento' do acusado
Ao receber a denúncia do Ministério Público pela morte de Rodrigo Castanheira, a Justiça do Distrito Federal afirmou que Pedro Turra tem um "padrão de comportamento violento" e mencionou possível tentativa de interferência nas investigações. Com a denúncia aceita, Pedro Turra se tornou réu em uma ação penal, com o processo seguindo para apresentação da defesa e produção de provas até o julgamento final.
O juiz André Silva Ribeiro, em decisão que manteve a prisão preventiva do acusado, citou outras ocorrências policiais envolvendo Pedro Turra, afirmando que os registros indicam reiteração de condutas agressivas. "A existência de outros episódios recentes de agressões físicas protagonizadas pelo denunciado evidencia um padrão de comportamento violento e o desprezo reiterado às normas de convivência social", declarou o magistrado.
Episódios de violência citados na decisão judicial
Além da agressão em janeiro contra Rodrigo Castanheira, os episódios de violência mencionados pelo juiz incluem:
- Uma briga em uma praça de Águas Claras em junho de 2025
- Denúncia de uma jovem que afirma ter sido forçada a ingerir bebida alcoólica e torturada com um taser quando era menor de idade
- Agressão contra um homem de 49 anos em uma briga de trânsito
Indícios de interferência nas investigações
Outro trecho da decisão trata da possibilidade de interferência na investigação, com o juiz apontando indícios de tentativa de "alinhamento de narrativas" que poderiam comprometer a apuração dos fatos. "Os indícios de tentativa de interferência nas investigações mediante alinhamento de narrativas comprometem a busca pela verdade real e revelam disposição para obstruir o regular andamento da justiça", afirma o texto.
Nos depoimentos à Polícia Civil, alguns amigos de Pedro Turra que estavam no local disseram ter visto o adolescente manuseando um "canivete" minutos antes do início da briga. No entanto, o item não aparece nos vídeos de câmeras de segurança obtidos pela polícia.
Detalhes do caso e situação processual
Pedro Turra agrediu Rodrigo Castanheira em 23 de janeiro em Vicente Pires, no Distrito Federal, em uma briga que começou por causa de um chiclete. O adolescente morreu após 16 dias internado em estado gravíssimo. Com a morte de Rodrigo, o MP reclassificou o crime cometido por Pedro Turra, inicialmente investigado como lesão corporal gravíssima, para homicídio.
Pedro Turra cumpre prisão preventiva no Centro de Detenção Provisória (CDP), no Complexo Penitenciário da Papuda, desde 2 de fevereiro. Na tarde desta quinta-feira (12), o Tribunal de Justiça do DF negou seu pedido de habeas corpus. Além da condenação criminal, o MP pediu que Pedro Turra seja obrigado a pagar R$ 400 mil por danos morais à família da vítima.
A defesa do ex-piloto disse que não vai se manifestar sobre a denúncia, enquanto a defesa da família do adolescente Rodrigo Castanheira alega que o soco dado por Pedro Turra foi a causa da morte. A Polícia Civil informou que foi solicitado à defesa da família de Rodrigo que seja feito um pedido formal para que o médico do Instituto Médico Legal (IML) analise se as lesões são compatíveis com o apresentado pelo laudo médico.



