Pediatra recebe pena de 20 anos por estupro de crianças durante atendimentos médicos
O pediatra Fernando Paredes Cunha Lima foi condenado a 20 anos de prisão pelo crime de estupro de vulnerável, conforme decisão da juíza Virgínia Gaudêncio de Novais, da Vara de Crimes contra Pessoas Hipervulneráveis de João Pessoa. A sentença, proferida em fevereiro, teve seu documento acessado pela Rede Paraíba nesta segunda-feira (30), revelando detalhes chocantes do caso.
Crimes cometidos durante consultas médicas
De acordo com os autos do processo, o médico praticou estupro de vulnerável contra uma criança em momentos distintos, especificamente em março e abril de 2021, durante consultas médicas. A magistrada observou um padrão de comportamento reincidente, o que levou à aplicação do entendimento de concurso material, resultando na pena total de 20 anos de reclusão em regime fechado.
Em contraste, na mesma decisão, a Justiça absolveu Cunha Lima de acusação de estupro contra outra menor de idade, fundamentando que "o conjunto probatório não alcança a certeza necessária ao decreto condenatório", aplicando o princípio de "em dúvida, pró réu". A defesa do médico foi contactada pela reportagem, mas não se manifestou até o fechamento desta edição.
Histórico de prisão e fugas
Desde dezembro de 2025, Fernando Paredes Cunha Lima cumpre prisão domiciliar, após deixar o Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa. Sua prisão inicial ocorreu em 7 de março de 2025, em Pernambuco, com transferência para a Paraíba uma semana depois. O médico já havia sido denunciado por estupro contra seis crianças pacientes, com a primeira denúncia formal registrada em 25 de julho de 2024.
Um episódio marcante foi quando a Polícia Civil tentou cumprir mandado de prisão em 5 de novembro de 2024 e não encontrou o acusado em casa, levando a sua classificação como foragido. A primeira denúncia partiu de uma mãe que testemunhou o abuso durante consulta, retirando imediatamente seus filhos e registrando queixa.
Repercussões e casos anteriores
Após a denúncia inicial, outras vítimas surgiram, incluindo uma sobrinha do médico que relatou abuso ocorrido em 1991, embora sem denúncia formal na época, o que causou rompimento familiar. O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) já cassou o registro de Cunha Lima, refletindo a gravidade das acusações.
Este caso destaca a vulnerabilidade de crianças em ambientes médicos e a importância de mecanismos de proteção. A sentença reforça o combate à violência sexual infantil, embora a absolvição em uma das acusações mostre os desafios probatórios em crimes dessa natureza.



