Rapper Oruam é considerado foragido após 66 violações à tornozeleira eletrônica
Oruam foragido após 66 violações à tornozeleira eletrônica

Rapper Oruam é considerado foragido após 66 violações à tornozeleira eletrônica

O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido artisticamente como Oruam, foi declarado foragido pela Justiça do Rio de Janeiro nesta terça-feira, 3 de fevereiro de 2026. A decisão ocorreu após a 3ª Vara Criminal do Rio de Janeiro determinar sua prisão preventiva, mas a Polícia Civil não conseguiu localizá-lo em sua residência para cumprir a ordem judicial.

Histórico de descumprimentos e violações graves

Oruam estava em liberdade com o uso de tornozeleira eletrônica desde 30 de setembro de 2025, por força de uma liminar concedida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). No entanto, a situação mudou drasticamente quando relatórios da Coordenação de Monitoração Eletrônica da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) apontaram sucessivas violações das determinações judiciais.

Segundo os autos do processo, o réu descumpriu o recolhimento domiciliar noturno em diversas datas e apresentou um padrão recorrente de negligência com o equipamento de monitoramento. Entre outubro e novembro de 2025, foram registrados 22 incidentes, incluindo longos períodos com o dispositivo desligado.

Detalhes das violações e danos ao equipamento

De acordo com a Seap, Mauro Davi dos Santos Nepomuceno compareceu à Central de Monitoração Eletrônica no dia 9 de dezembro de 2025, ocasião em que a tornozeleira foi trocada. A peça retirada foi encaminhada à perícia técnica, que constatou dano eletrônico, possivelmente decorrente de alto impacto.

Em nota oficial, a Seap informou: “O monitorado utiliza tornozeleira eletrônica desde 30 de setembro do ano passado e, desde 1º de novembro, passou a apresentar sucessivas violações, totalizando 66 ocorrências, sendo 21 graves somente em 2026, em sua maioria relacionadas à falta de carregamento da bateria”.

A nota acrescenta ainda que “as violações foram formalmente comunicadas ao Poder Judiciário, com relatórios mensais encaminhados à Terceira Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio. Após a troca, o novo equipamento voltou a apresentar falhas por ausência de carregamento, e desde 1º de fevereiro deste ano permanece descarregado”.

Decisão judicial e revogação da liminar

Diante das infrações, o Ministério Público requereu a prisão preventiva do acusado. Inicialmente, o juízo reconheceu o descumprimento das cautelares, mas deixou de decretar a prisão devido à vigência da liminar do STJ. Com a revogação dessa decisão liminar, a juíza Tula Corrêa de Mello entendeu que “as medidas alternativas se mostraram insuficientes, determinando a retomada da prisão preventiva para garantir a ordem pública e a efetividade do processo penal”.

Contexto da acusação e envolvimento familiar

O rapper Oruam responde por tentativa de homicídio qualificado praticado contra o delegado Moyses Santana Gomes e o oficial Alexandre Alves Ferraz, ambos da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. O crime ocorreu durante uma operação policial em 22 de julho de 2025, quando Oruam e outras sete pessoas arremessaram pedras de grande peso e volume nas vítimas.

Além de Oruam, outros três indivíduos são réus no mesmo processo: Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieira, Pablo Ricardo de Paula Silva de Morais e Victor Hugo Vieira dos Santos. Vale destacar que Oruam é filho do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, que está preso em uma penitenciária federal.

A situação permanece em aberto, com as autoridades em busca do rapper foragido, enquanto a Justiça reforça a necessidade de cumprimento das medidas de segurança e monitoramento eletrônico no sistema penal brasileiro.