Operação Propago desmantela esquema de corrupção no sistema penitenciário do Amapá
A Polícia Civil do Amapá deflagrou nesta segunda-feira, 6 de maio, uma operação de grande porte para desarticular um sofisticado esquema criminoso que operava dentro do sistema penitenciário estadual. A ação, batizada de Operação Propago, teve como alvo uma rede organizada que utilizava parentes e companheiras de detentos para corromper servidores do Instituto de Administração Penitenciária (Iapen) com o objetivo claro de facilitar a entrada ilegal de celulares e drogas nas unidades prisionais.
Mandados cumpridos em três municípios
Os agentes policiais cumpriram um total de 15 mandados de busca e apreensão em três municípios amapaenses: Macapá, Santana e Laranjal do Jari. Na capital Macapá, a maioria das diligências foi realizada dentro da própria penitenciária estadual, evidenciando a infiltração do esquema no coração do sistema carcerário. A operação mobilizou equipes especializadas e contou com o apoio logístico necessário para garantir a segurança e eficácia das ações.
Investigação iniciada em 2024
A investigação que culminou na operação teve início ainda no ano de 2024, após a prisão em flagrante de um agente do Iapen que era suspeito de integrar a rede criminosa. A partir dessa primeira detenção, os investigadores da Polícia Civil aprofundaram as diligências para identificar todos os envolvidos, as origens dos materiais ilícitos e os mecanismos financeiros que sustentavam o esquema. O trabalho foi meticuloso e exigiu meses de acompanhamento e coleta de provas.
Mecanismo de lavagem de dinheiro
De acordo com o delegado Cesar Ávila, responsável pela coordenação das investigações, o esquema operava com base em um sofisticado mecanismo de lavagem de dinheiro. Os familiares dos presos recebiam valores em espécie, muitas vezes incompatíveis com suas rendas declaradas, e realizavam os repasses aos servidores corruptos e outros intermediários. "A investigação identificou o envolvimento de parentes de presos e outras pessoas cooptadas para fazer os pagamentos. O dinheiro vinha dos detentos, passava por terceiros e chegava aos servidores e demais envolvidos", explicou o delegado em coletiva à imprensa.
Material apreendido e bloqueios financeiros
Durante a execução dos mandados, a polícia conseguiu apreender uma quantidade significativa de material, incluindo:
- Celulares de última geração
- Veículos utilizados no esquema
- Equipamentos eletrônicos diversos
- Documentos e registros financeiros
Além das apreensões materiais, a operação resultou no bloqueio de contas bancárias pertencentes aos investigados, medida crucial para interromper o fluxo financeiro que alimentava as atividades criminosas. A ação foi coordenada pela Divisão de Combate à Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil do Amapá, demonstrando o caráter financeiro e organizado do esquema desmantelado.
Impacto no sistema penitenciário
A desarticulação desta rede criminosa representa um golpe significativo contra a corrupção dentro do sistema penitenciário amapaense. A entrada ilegal de celulares e drogas nas penitenciárias é um problema crônico que compromete a segurança, a disciplina e os objetivos de ressocialização das unidades. A Operação Propago evidencia a determinação das autoridades em combater essas práticas ilícitas que minam a integridade das instituições públicas.
As investigações continuam em andamento, e novas medidas podem ser tomadas conforme a análise do material apreendido e dos depoimentos colhidos. A expectativa é que a operção contribua para um ambiente mais seguro e controlado dentro das penitenciárias do estado, além de servir como alerta para outros possíveis envolvidos em esquemas semelhantes.



