Operação Gollum II mira lavagem de dinheiro em fraudes milionárias de home care no RS e SC
Operação Gollum II investiga lavagem de dinheiro em fraudes de home care

Operação Gollum II investiga lavagem de dinheiro em esquema milionário de fraudes em tratamentos home care

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) deflagrou nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, a segunda fase da Operação Gollum, batizada de Gollum II, que tem como foco principal a investigação de lavagem de dinheiro vinculada a um extenso esquema de fraudes e desvios de recursos públicos destinados a tratamentos de home care (atendimento domiciliar de saúde).

Blindagem financeira e novos alvos

A ação resultou na determinação judicial de bloqueios financeiros no valor de aproximadamente R$ 12 milhões, montante relacionado diretamente às movimentações financeiras identificadas a partir das provas reunidas na fase anterior da investigação. Conforme informações do MP gaúcho, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em três cidades do Rio Grande do Sul – Passo Fundo, Canoas e Esteio – e em Balneário Camboriú, em Santa Catarina.

Segundo o promotor de Justiça Diego Pessi, responsável pela ação e coordenador do 7º Núcleo Regional do Gaeco – Planalto, esta nova etapa decorre da análise aprofundada das provas obtidas na Operação Gollum I, que revelou um esquema criminoso de desvio de recursos públicos destinados ao atendimento domiciliar de saúde em Passo Fundo.

"A investigação financeira e digital apontou fortes indícios de ocultação patrimonial do produto dos crimes de estelionato contra o Estado", destacou nota oficial da Promotoria de Justiça do Rio Grande do Sul.

Expansão da investigação

Nesta segunda fase da operação, 12 novos alvos passaram a ser investigados pelos crimes de organização criminosa, estelionato e lavagem de dinheiro. A lista inclui nove pessoas físicas e três empresas que teriam participação no esquema fraudulento.

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos com o objetivo específico de recolher documentos, registros contábeis, equipamentos eletrônicos e mídias que possam contribuir para a reconstrução completa do fluxo financeiro do esquema criminoso, permitindo aos investigadores rastrear o caminho do dinheiro desviado e identificar todos os envolvidos na rede de lavagem.

Antecedentes da operação

A primeira fase da Operação Gollum foi deflagrada em 4 de dezembro de 2024, em Passo Fundo, quando o MP-RS desarticulou inicialmente o esquema de fraudes no serviço de home care que desviava recursos do Estado e do IPE Saúde. Na ocasião, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, e a investigação identificou quatro núcleos criminosos formados por familiares, prestadores de serviços, advogados e colaboradores.

O trabalho investigativo resultou, em 13 de maio de 2025, na denúncia de 23 envolvidos pelos crimes de organização criminosa, estelionato qualificado e falsidade ideológica, estabelecendo a base probatória sólida que possibilitou o avanço para esta segunda fase da investigação.

Os investigadores destacam que a operação atual representa um avanço significativo no combate à lavagem de dinheiro associada a fraudes contra o sistema público de saúde, com foco especial na identificação de mecanismos sofisticados de ocultação de patrimônio proveniente de atividades criminosas.