Novas vítimas denunciam médico ginecologista acusado de abuso sexual em Irati, PR
Após a divulgação da notícia de que o médico ginecologista Felipe Lucas, de 81 anos, foi acusado de cometer crime sexual contra uma paciente em Irati, na região central do Paraná, mais duas mulheres procuraram a polícia para relatar que também foram vítimas do profissional. As informações são do delegado Luis Henrique Dobrychtop, que coordena as investigações.
Detalhes dos novos relatos
Segundo o policial, as duas mulheres deram depoimentos semelhantes ao da primeira vítima, afirmando que se encorajaram a denunciar após verem que o médico se tornou réu na Justiça pelo crime de violação sexual mediante fraude. Ambas relataram que não procuraram a polícia antes por medo da influência política do autor, mas agora acreditam que deveriam ter feito as denúncias anteriormente.
Uma das vítimas sofreu o abuso em 2011, e a outra, em 2016. Conforme Dobrychtop, uma delas descreveu que o médico tocou suas partes íntimas por cerca de cinco minutos de forma contínua, em uma massagem totalmente inusitada e contrária aos protocolos clínicos. A outra vítima relatou que, durante um exame pré-natal, foram realizados cerca de dez toques vaginais com intervalos curtos, mesmo após ela reclamar de dores.
Padrão de comportamento investigado
Para o delegado, a convergência de detalhes nos relatos de vítimas que não possuem vínculos entre si é um elemento determinante, indicando um padrão de comportamento ao longo de décadas. Ele considera que o profissional se aproveitou da posição de confiança para praticar atos libidinosos, usando supostos procedimentos clínicos como pretexto para os abusos.
Os novos relatos vão constar no processo atual para corroborar a palavra da primeira vítima, mas não poderão render novos processos devido à prescrição, já que os crimes ocorreram antes de 2018, quando a legislação mudou para ação pública incondicionada.
Contexto da primeira denúncia
A primeira denúncia foi feita por uma mulher de 24 anos, que foi atendida por Felipe Lucas no início de fevereiro em Irati, na rede pública de saúde. Ela procurou a delegacia sete dias depois, justificando o atraso devido ao extremo abalo emocional. A vítima relatou que o médico realizou massagens íntimas alegando ser uma orientação para o estímulo da libido, conduta que especialistas afirmam não ter respaldo na medicina.
Além disso, durante o exame, o médico atendeu a uma chamada telefônica pessoal que durou cerca de cinco minutos, aumentando o constrangimento. A polícia também notou que não houve registro clínico do atendimento no prontuário eletrônico, levantando suspeitas sobre a conduta.
Investigações e medidas cautelares
Nas investigações do primeiro caso, foram ouvidas testemunhas, profissionais de saúde, a vítima e seu marido, além do filho de cinco anos, que passou por escuta especializada. A polícia indiciou Felipe Lucas pelo crime de violação sexual mediante fraude e representou por medida cautelar de afastamento das funções públicas e suspensão do exercício profissional.
O pedido foi reforçado pelo Ministério Público do Paraná e aguarda decisão do Tribunal de Justiça do Paraná. O Conselho Regional de Medicina do Paraná informou que irá instaurar processo de sindicância para apurar o ocorrido, podendo aplicar sanções que vão desde advertência até cassação do exercício profissional.
Perfil do acusado
Felipe Lucas é médico desde 1975, especializado em ginecologia e obstetrícia, com registro ativo no CRM-PR. Em 2024, ele foi homenageado pelo conselho por completar 50 anos de profissão. Além da carreira médica, ele tem histórico político, tendo sido vereador, prefeito de Irati nos anos 1990 e deputado estadual duas vezes.
Posições dos envolvidos
A defesa do médico, por meio do escritório Fabrizzio, Camila & Eliza Sociedade de Advogados, afirmou que ele nega veementemente qualquer prática irregular ou conduta indevida, e que sua versão será apresentada no momento adequado perante a Justiça. O CIS Amcespar, consórcio público de saúde, disse que cooperou com as investigações e não compactua com condutas que violem a dignidade dos usuários, abstendo-se de antecipar juízo de valor.
Denúncias podem ser feitas de forma anônima à Polícia Civil pelos telefones 197 ou 181, conforme destacado pelas autoridades.



