MP-SP arquiva inquérito sobre procurador que matou esposa e filho em Limeira
MP-SP arquiva caso de procurador que matou família e se suicidou

MP-SP arquiva inquérito sobre procurador que matou esposa e filho em Limeira

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) determinou o arquivamento do inquérito que investigava o caso do procurador jurídico que assassinou a esposa e o filho de apenas dois meses antes de cometer suicídio, em Limeira, no interior paulista. A informação foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) nesta segunda-feira (23), após a conclusão das investigações.

Ausência de indícios de terceiros leva ao arquivamento

De acordo com a SSP, a decisão de arquivar o caso ocorreu diante da ausência de indícios de participação de terceiros no crime, que estava sendo investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Limeira. A Prefeitura de Limeira identificou o homem como Rafael Horta, que atuava como procurador jurídico municipal, enquanto a vítima feminina era Cristiane Laurito, servidora concursada da Câmara Municipal de Campinas.

Justiça nega quebra de sigilo do celular do autor

Um dos aspectos mais significativos do caso foi a decisão judicial que negou o pedido da polícia para quebra de sigilo do celular de Rafael Horta. O delegado Edgar Albanez, que assumiu as investigações, explicou que a expectativa da polícia era descobrir a motivação do crime através do conteúdo localizado no aparelho.

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"Não vai ter como descobrir o que houve porque tinha um celular apreendido e o juiz negou a abertura do celular. O segredo do celular não vai ser aberto. Então, não tem muito o que fazer", afirmou Albanez. Segundo o chefe de polícia, o magistrado não autorizou a busca de informações por entender que se tratava de um caso criminal que seria arquivado, já que o autor havia falecido.

Detalhes do crime e descoberta

As mortes ocorreram na manhã do dia 6 de junho de 2025, provavelmente antes das 7h, segundo o delegado João Vasconcelos, que trabalhou no caso no início das investigações. A descoberta do crime aconteceu por volta das 11h, quando o pai de Rafael foi até a casa do casal para buscar o neto para uma consulta médica.

Ao perceber que a família não atendia, o avô entrou na residência e encontrou a trágica cena em um dos quartos: os três corpos estavam na cama, lado a lado. Segundo relatos do pai de Rafael, o procurador estava passando por um quadro de depressão e estava afastado há 30 dias de suas funções na prefeitura, com autorização médica de um psiquiatra.

Armamento e declarações anteriores

As investigações preliminares indicaram que as mortes foram causadas por disparos de arma de fogo, encontrada ao lado da cama onde estava a família. Foram apreendidos uma arma, três carregadores e doze munições, sendo que Rafael possuía licença regular para o porte da arma.

Três semanas antes do crime, o procurador havia feito declarações emocionadas nas redes sociais sobre sua família. Em uma postagem que incluía uma foto do filho, Rafael escreveu: "o bebê mais fofo e que tem a melhor mãe possível", demonstrando uma aparente normalidade que contrasta com o desfecho trágico.

Perfil das vítimas e do autor

Rafael Horta trabalhava na Prefeitura de Limeira como procurador jurídico municipal, apresentando-se como especialista em estratégia e recuperação de ativos, investigação patrimonial e busca de laranjas. Já Cristiane Laurito era servidora concursada da Câmara Municipal de Campinas desde 2014, ocupando o cargo de coordenadora de execução orçamentária e financeira.

O caso, que chocou a região de Limeira e Campinas, segue agora arquivado pelas autoridades, deixando diversas questões sem resposta sobre as motivações por trás da tragédia familiar que resultou em três vidas perdidas.

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