MP de Minas recorre de decisão que absolveu homem acusado de estuprar menina de 12 anos
MP recorre de absolvição de homem acusado de estuprar menina de 12 anos

MP de Minas recorre de decisão que absolveu homem acusado de estuprar menina de 12 anos

O Ministério Público de Minas Gerais apresentou recurso na noite de segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, contra a decisão do Tribunal de Justiça do estado que absolveu um homem de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12 anos. O caso, que está em segredo de Justiça para proteger a identidade da vítima, gerou ampla repercussão nas redes sociais e na política nacional.

Argumento da absolvição baseado em 'núcleo familiar'

A 9ª Câmara Criminal do TJMG, em decisão proferida no dia 11 de fevereiro, absolveu o agressor com o argumento de que existiria um "núcleo familiar" na relação entre ele e a menina. O desembargador relator, Magid Nauef Láuar, sustentou em seu voto que a vítima via o acusado como um "marido", o que, segundo a corte, invalidaria a configuração do crime de estupro.

Essa interpretação foi amplamente criticada, pois a legislação brasileira estabelece que crimes sexuais contra menores de 14 anos não consideram o consentimento, uma vez que a lei entende que crianças e adolescentes nessa faixa etária não têm condições plenas de compreender a situação ou exercer escolha.

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Repercussão política e judicial

A decisão do TJMG provocou indignação em parlamentares de diferentes espectros políticos. Tanto Nikolas Ferreira (PL-MG) quanto Érika Hilton (PSOL-SP), deputados federais e adversários políticos, anunciaram que tomarão medidas judiciais no caso. Além disso, um grupo de parlamentares do PSOL e da Rede acionou a Procuradoria-Geral da República, solicitando que apresente uma ação ao Supremo Tribunal Federal para uniformizar a interpretação da lei.

O desembargador Magid Nauef Láuar e o próprio TJMG tornaram-se alvos de um pedido de providências no Conselho Nacional de Justiça, que investigará a conduta. Dependendo do resultado, o magistrado pode enfrentar sanções conforme a Lei Orgânica da Magistratura.

Possibilidades de recurso e próximos passos

O Ministério Público de Minas Gerais tem a opção de recorrer diretamente para a Câmara Criminal ou para o Superior Tribunal de Justiça. O caso continua em segredo de Justiça, com foco na preservação da identidade da vítima, enquanto as instâncias superiores analisam os argumentos apresentados.

A ampla cobertura midiática e a mobilização política destacam a sensibilidade do tema e a necessidade de clareza na aplicação das leis de proteção a menores, reforçando o debate sobre a efetividade da justiça em casos de violência sexual.

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