Motorista de aplicativo é indiciado por homofobia e agressão física a jovens em Porto Alegre
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul concluiu o inquérito e indiciou um motorista de aplicativo de 33 anos por crimes de homofobia, lesão corporal e injúria contra três jovens na capital gaúcha. O caso ocorreu no sábado, dia 24 de fevereiro, após um cortejo que reuniu foliões de um tradicional bloco de Carnaval na cidade.
Detalhes das acusações e investigação policial
O homem foi formalmente indiciado pela prática de homofobia em duas ocasiões, lesão corporal por três vezes e injúria simples. A investigação foi coordenada pelo delegado Vinicius Nahan, da Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância (DPCI), que apurou que o suspeito agrediu fisicamente um casal e uma amiga, além de proferir ofensas homofóbicas durante uma corrida de aplicativo.
O procedimento já foi remetido ao Poder Judiciário para as próximas etapas processuais. A conclusão do inquérito foi divulgada oficialmente nesta sexta-feira, dia 30 de fevereiro, marcando um passo importante na responsabilização do acusado.
Ação da Defensoria Pública e posicionamento da Uber
O caso também motivou uma ação institucional da Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul (DPE/RS). O Núcleo de Defesa da Diversidade Sexual e de Gênero, conhecido como NUDIVERSI, enviou um ofício à empresa Uber na quarta-feira, dia 28 de fevereiro.
No documento, a Defensoria cobra informações detalhadas sobre as políticas da plataforma para prevenir e combater casos de LGBTfobia envolvendo motoristas parceiros. A instituição aguarda um retorno formal da empresa em um prazo máximo de 10 dias.
Em nota oficial, a Uber afirmou que a conta do motorista parceiro foi desativada imediatamente assim que a empresa tomou conhecimento do episódio. A companhia reforçou seu compromisso com a diversidade, declarando:
"A empresa defende o respeito à diversidade e reafirma o seu compromisso de promover a igualdade e justiça para todas as pessoas LGBTQIA+".
A Uber também destacou que todas as viagens realizadas pela plataforma contam com um seguro para acidentes pessoais e que a empresa permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, sempre respeitando a legislação vigente.
Relato das vítimas e versão do motorista
De acordo com o relato de Kaiki Trindade, um dos passageiros agredidos, a corrida teria uma duração estimada de cerca de 10 minutos. O jovem explicou que seu namorado estava enjoado e, logo no embarque, pediu ao motorista que abrisse o vidro do carro para que ele pudesse vomitar.
Kaiki descreve que, após o incidente, o motorista pediu que todos saíssem do veículo. O grupo se propôs a resolver a situação de forma pacífica, oferecendo-se para pagar qualquer taxa de limpeza necessária. No entanto, segundo ele, não houve a mesma receptividade por parte do condutor.
O jovem acrescenta que, ao descerem do carro, bateram a porta do veículo com um pouco mais de força. Foi nesse momento que o motorista teria dado a volta com o carro e partido para a agressão física.
- A amiga do casal tentou intervir e levou uma cotovelada no rosto.
- O namorado de Kaiki foi desacordado pelo motorista e caiu no chão.
- O condutor então se dirigiu a Kaiki, afirmando que o grupo "ia ter o que merece agora".
Em contrapartida, o motorista de aplicativo alegou à RBS TV que o vidro do carro estava fechado porque dirige com o ar-condicionado ligado. Ele sustenta que cancelou a viagem por opção própria, antes do início da confusão, e confirma que houve troca de xingamentos e batida com força na porta.
No entanto, o condutor garante que não proferiu nenhuma fala preconceituosa, afirmando: "Existiu xingamento pesado, mas nenhum tipo de racismo, homofobia, qualquer discriminação". O motorista, que prefere não se identificar publicamente, expressou arrependimento por ter iniciado a briga, reconhecendo que poderia ter permanecido dentro do veículo.
Desdobramentos e acompanhamento do caso
O g1 entrou em contato com o motorista indiciado, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento do acusado.
A Uber também informou que, em parceria com a organização MeToo, disponibiliza um canal de suporte psicológico voltado especificamente para usuárias e usuários do aplicativo, reforçando seu compromisso com o bem-estar da comunidade.
Este caso ilustra a importância de mecanismos de combate à intolerância e a necessidade de políticas efetivas por parte das plataformas de transporte por aplicativo para garantir a segurança e o respeito a todos os passageiros, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.