Motorista aguarda há um ano por indenização após devolver R$ 131 milhões recebidos por engano
O motorista Antônio Pereira do Nascimento enfrenta uma longa espera por uma decisão judicial que pode lhe garantir uma indenização por danos morais e uma recompensa, após ter devolvido mais de R$ 131 milhões que foram depositados erroneamente em sua conta bancária pelo Banco Bradesco. O caso, que se arrasta desde 2023, teve uma nova movimentação na última segunda-feira (16), quando a Justiça decidiu dispensar as testemunhas solicitadas pelas partes envolvidas.
O início da saga milionária
Em junho de 2023, Antônio Pereira foi surpreendido ao consultar sua conta corrente e encontrar um saldo de R$ 131.870.227, um valor que não lhe pertencia. Imediatamente, o motorista comunicou o banco sobre o erro e buscou a instituição para devolver a quantia. No entanto, esse gesto de honestidade não foi isento de consequências. O Bradesco, ao classificar a conta de Antônio como 'VIP' devido ao alto valor depositado, aumentou sua tarifa mensal de R$ 36 para R$ 70, sem qualquer aviso prévio, gerando os primeiros transtornos.
A fama e os constrangimentos que se seguiram foram intensos. O caso ganhou repercussão nacional, levando Antônio a ser convidado para o programa Domingão com Huck em agosto de 2023, onde sua história foi contada. Durante a participação, Déa Lúcia Vieira, mãe do humorista Paulo Gustavo, criticou publicamente a falta de recompensa por parte do banco, aumentando a pressão sobre a instituição financeira.
Ação judicial e pedidos de reparação
Em julho de 2024, após mais de um ano do ocorrido, Antônio entrou com uma ação na 6ª Vara Cível de Palmas contra o Bradesco. No processo, a defesa do motorista alega que ele sofreu pressão psicológica por parte do gerente da agência, que insinuou que "pessoas" estariam na porta de sua casa aguardando a devolução do dinheiro. Além disso, Antônio enfrentou assédio da imprensa, resultando em abalos emocionais e constrangimentos.
Com base nesses fatos, a ação pede R$ 150 mil em indenização por danos morais e busca o reconhecimento do direito a uma recompensa, conforme previsto no artigo 1.234 do Código Civil, que estabelece benefícios para quem encontra e devolve coisa alheia perdida.
Decisão judicial recente
No dia 16 de março de 2026, a Justiça emitiu uma decisão que dispensou as testemunhas solicitadas tanto pela defesa do banco quanto pela do motorista. O juiz responsável pelo caso argumentou que não há necessidade de ouvi-las, pois a discussão central do processo já está bem definida. Os pontos principais a serem analisados incluem:
- A confirmação da transferência indevida dos R$ 131 milhões.
- A restituição completa do valor ao banco.
- A aplicação do artigo 1.234 do Código Civil para possível recompensa.
- A caracterização de danos morais decorrentes da conduta do Bradesco.
Até o momento, os advogados de Antônio Pereira e a defesa do Banco Bradesco não se pronunciaram sobre a última decisão, mantendo o caso em suspense enquanto o motorista aguarda por uma resolução que possa compensar os transtornos vividos ao longo deste ano.



