Polícia investiga morte de educadora em Franca após exumação do corpo após quase um ano
A Polícia Civil de Franca, no interior de São Paulo, está investigando as circunstâncias da morte da orientadora educacional Tatiane Cintra dos Santos Cardozo, de 42 anos, ocorrida em abril de 2025. O caso ganhou novos contornos após a exumação do corpo da vítima, realizada na última quarta-feira (11), quase um ano após o falecimento, autorizada pela Justiça a pedido da polícia.
A suspeita principal das autoridades é de que Tatiane possa ter sido envenenada, uma hipótese que contrasta com o laudo inicial que apontou morte natural por broncoaspiração. A família da educadora discorda veementemente dessa conclusão, alegando que ela era uma pessoa saudável, com exames em dia, e vivia um casamento conturbado com o marido, William Ferreira Cardozo.
Detalhes do caso e a exumação tardia
Tatiane faleceu no dia 20 de abril de 2025, após participar de um churrasco em casa com a família do marido. Segundo relatos da filha mais velha, de 20 anos, a vítima foi encontrada imóvel na cama, com indícios de vômito ao lado. Apesar dos esforços de reanimação e do chamado ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ela não resistiu.
O exame necroscópico inicial, realizado pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO) de Franca, indicou hepatomegalia de origem desconhecida e odor etílico, concluindo pela broncoaspiração como causa da morte. No entanto, a família apresentou à polícia informações que levantaram dúvidas sobre essa versão.
A exumação foi autorizada apenas agora porque um pedido anterior havia sido negado pelo Instituto Médico Legal (IML) de Franca, devido à aplicação de um produto químico pela funerária durante a preparação do corpo, o que poderia comprometer os resultados. Com novos indícios de possível envenenamento, a Polícia Civil renovou o pedido em janeiro de 2026, obtendo a autorização judicial em fevereiro.
Relação conturbada e suspeitas familiares
Familiares de Tatiane relataram à polícia que ela vivia um casamento difícil com William, com quem estava há 24 anos, incluindo uma separação após a descoberta de uma traição. O casal havia reatado há dez meses antes da morte, mas a família era contra a reconciliação devido a comportamentos abusivos do marido.
Após o falecimento, descobriram que Tatiane estava novamente infeliz na relação, pois soube que William mantinha o relacionamento extraconjugal. Além disso, no dia da morte, ele enviou uma mensagem no celular dela dizendo: "espera dia 20 que tudo será resolvido", o que aumentou as suspeitas.
Mensagens acessadas no celular de Tatiane revelaram que ela havia sido agredida por William durante uma briga com a amante, chegando a tirar fotos das marcas no corpo, mas se recusou a registrar queixa. A irmã, Fabiana Cintra dos Santos Barros, expressou a angústia da família: "Se aconteceu alguma coisa anormal com a minha irmã, esperamos justiça. Vamos esperar o que vai ser relatado daqui pra frente".
Sintomas anteriores e investigação em sigilo
Dias antes de morrer, Tatiane apresentou sintomas como diarreia, vômito e dores de cabeça, que ela atribuía ao estresse no trabalho. A irmã, Elaine Cristina Santos Tristão, destacou: "Minha irmã era uma pessoa nova, cheia de saúde. Ela tinha seus exames em dia... Não tenho dúvida nenhuma que estava tudo certo com a saúde dela".
A investigação é mantida em sigilo pela Polícia Civil. Durante a exumação, foram coletadas amostras de vísceras, rim, fígado, baço e vestígios de sangue para análise laboratorial. O delegado Davi Abmael Davi evitou apontar suspeitos, mas afirmou: "A expectativa em relação a essa exumação é muito grande, porque é uma prova muito efetiva, muito contundente... Vamos aguardar a decisão laboratorial para ver se realmente havia alguma outra substância anormal no corpo que pudesse ter ocasionado a morte dela".
William não compareceu à exumação, mas sua advogada, Letícia Antinori, afirmou que ele colabora com as investigações e acredita na inocência do cliente. Ainda não há prazo para a conclusão dos exames, que podem esclarecer definitivamente as causas da morte de Tatiane, trazendo respostas há muito aguardadas pela família.