Médico tem prisão mantida após faltar a parto no Amazonas; imagens mostram profissional em bar horas antes
O médico Humberto Fuentes, investigado pela morte de um bebê após não comparecer ao parto em Eirunepé, no interior do Amazonas, teve a prisão preventiva mantida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). A corte negou o pedido de revogação feito pela defesa do profissional de saúde, decisão publicada no Diário Oficial de Justiça na segunda-feira, dia 9.
O caso grave que chocou o Amazonas
O incidente ocorreu em 22 de novembro de 2025, quando a mãe do bebê chegou ao hospital por volta das 4 horas da manhã, entrando em trabalho de parto. O médico, que estava de sobreaviso, não respondeu às múltiplas tentativas de contato da equipe médica. Ele apareceu apenas cerca de cinco horas depois, quando o parto foi finalmente realizado.
Vídeos obtidos pela imprensa mostram Humberto Fuentes em um bar horas antes do ocorrido, levantando questões sobre seu estado naquele momento crucial. Testemunhas relataram que o profissional "estava cheirando a cerveja", conforme declarou o pai que denunciou o caso.
Decisão do STJ fundamenta gravidade do caso
Para os ministros do Superior Tribunal de Justiça, a atitude do médico demonstra descaso com a vida humana, especialmente considerando que ele estava de plantão e não atendeu a paciente a tempo. O relator, ministro Joel Ilan Paciornik, afirmou que a prisão preventiva foi decretada para garantir a ordem pública, assegurar a aplicação da lei penal e não prejudicar as investigações.
"A manutenção da prisão processual está devidamente fundamentada na gravidade concreta do delito, no risco de evasão e na possibilidade de influência sobre testemunhas", declarou o ministro na decisão judicial.
Detalhes trágicos do parto e fuga do médico
De acordo com as investigações, após o médico não retornar as ligações, a direção do hospital enviou uma ambulância à sua residência, mas ele não atendeu. A prefeitura também tentou contato, sem sucesso. Quando Fuentes finalmente chegou ao hospital por volta das 9 horas, aproximadamente cinco horas após a gestante ter dado entrada, o parto foi realizado, mas já era tarde demais.
Testemunhas afirmam que o bebê teria aspirado fezes e restos de placenta, vindo a falecer cerca de uma hora após o nascimento. Inicialmente, o médico foi levado à delegacia para prestar esclarecimentos e liberado, mas após a repercussão do caso, foi afastado do Hospital Regional de Eirunepé Vinícius Conrado.
Com a decretação da prisão preventiva pela Justiça, Fuentes não foi mais encontrado em Eirunepé. A Polícia Federal localizou o médico dentro de um supermercado na Zona Norte de Manaus, enquanto utilizava um caixa eletrônico. Os agentes passaram a acompanhar seus passos e efetuaram a prisão momentos depois, na residência onde ele estava morando, na Avenida Torquato Tapajós, Zona Norte da capital amazonense.
Risco de fuga e consequências profissionais
O STJ destacou em sua decisão que há risco concreto de fuga, já que o médico saiu da cidade logo após o ocorrido e só foi encontrado pela Polícia Federal em Manaus. Além das consequências penais, o caso levou ao afastamento profissional de Humberto Fuentes e gerou ampla repercussão na comunidade médica e na sociedade amazonense.
O tribunal entendeu que não houve ilegalidade que justificasse revogar a prisão, mantendo assim o médico sob custódia enquanto o processo segue seu curso legal. A defesa de Humberto Fuentes não foi localizada para comentários sobre a decisão do Superior Tribunal de Justiça.



