Justiça de Uberlândia aceita denúncia por assassinato de farmacêutica em 2020
A Justiça da Comarca de Uberlândia, em Minas Gerais, recebeu e aceitou formalmente a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais contra dois indivíduos acusados de envolvimento no brutal assassinato de uma farmacêutica ocorrido há quatro anos. Os réus, a médica Claudia Soares Alves e seu vizinho Paulo Roberto Gomes da Silva, permanecem sob prisão preventiva, conforme decisão judicial publicada na última quinta-feira, dia 29.
Detalhes do crime e motivação investigada
O homicídio vitimou Renata Bocatto Derani, de 38 anos, na manhã de 7 de novembro de 2020, quando ela chegava para trabalhar em uma farmácia no Bairro Presidente Roosevelt. Câmeras de segurança registraram o momento em que o criminoso se aproximou e efetuou múltiplos disparos contra a vítima, que tentou se defender em vão. As investigações da Polícia Civil apontam que a motivação central do crime estaria ligada ao desejo obsessivo da médica Claudia de assumir a guarda da filha de Renata, fruto do relacionamento anterior da vítima.
Claudia Soares Alves havia se casado com o ex-marido de Renata, mas o relacionamento foi rompido após apenas dois meses, quando o homem percebeu comportamentos considerados preocupantes e obsessivos por parte da médica. A farmacêutica, por sua vez, teria proibido o contato da filha com o pai sempre que ele estivesse na companhia de Claudia, por considerá-la uma pessoa perigosa e emocionalmente instável.
Papel dos acusados e decisão judicial
Na denúncia aceita, Claudia é acusada de homicídio qualificado, tendo fornecido suposto apoio logístico para a execução do crime, além de destruir provas e adulterar documentos na tentativa de iludir as autoridades. Paulo Roberto Gomes enfrenta acusações de homicídio qualificado e adulteração de sinal identificador de veículo automotor. O juiz Dimas Borges de Paula, da 5ª Vara Criminal, manteve as prisões preventivas de ambos, argumentando a persistência de riscos como fuga, considerando a falta de residência fixa comprovada e ocupação lícita, além da necessidade de garantir a ordem pública e a instrução criminal.
Os dois réus já se encontram presos há aproximadamente dois meses: Claudia está custodiada na Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga, em Uberlândia, desde 5 de novembro, enquanto Paulo Roberto está no Presídio Professor Jacy de Assis, na mesma cidade, desde 1º de dezembro.
Histórico criminal da médica e contexto adicional
Claudia Soares Alves, de 42 anos, neurologista e ex-professora da Universidade Federal de Uberlândia, já responde a outro processo grave na Justiça. Em 2024, ela foi presa pelo sequestro de uma recém-nascida dentro da maternidade do Hospital de Clínicas da UFU, utilizando documentos falsos na tentativa de registrar a bebê como sua filha. O delegado responsável pelo caso, Eduardo Leal, descreveu a médica como uma pessoa com desejo compulsivo de ser mãe de uma menina, que teria recorrido a adoções irregulares e até oferecido dinheiro para comprar uma criança na Bahia após tratamentos frustrados para engravidar.
Durante buscas na casa da investigada, a Polícia Civil encontrou um quarto inteiramente decorado em tons de rosa, equipado com berço, roupas infantis e uma boneca realista, cenário que, segundo as autoridades, refletiria seu estado psicológico desequilibrado. A operação que resultou na prisão recente foi conduzida em Itumbiara, Goiás, em parceria entre as polícias civis de Minas Gerais e Goiás, marcando mais um capítulo nas investigações que se arrastam desde 2020.
Além dos dois réus principais, outros dois suspeitos, vizinhos de Claudia, foram presos temporariamente por possível participação no assassinato, e as investigações continuam para esclarecer o envolvimento de todos os implicados. A Polícia Civil avalia ainda a necessidade de prorrogar ou converter essas prisões temporárias em preventivas, com o devido indiciamento legal. O caso segue sob acompanhamento das autoridades, com a defesa dos acusados sendo procurada para manifestação, enquanto a comunidade de Uberlândia aguarda os desdobramentos judiciais deste crime que chocou a região.



